segunda-feira, 18 de julho de 2011

Mais um Pouco de Poesia



SUGESTÃO


Antes que venham ventos e te levem
do peito o amor — este tão belo amor,
que deu grandeza e graça à tua vida —,
faze dele, agora, enquanto é tempo,
uma cidade eterna — e nela habita.

Uma cidade, sim. Edificada
nas nuvens, não — no chão por onde vais,
e alicerçada, fundo, nos teus dias,
de jeito assim que dentro dela caiba
o mundo inteiro: as árvores, as crianças,
o mar e o sol, a noite e os passarinhos,
e sobretudo caibas tu, inteiro:
o que te suja, o que te transfigura,
teus pecados mortais, tuas bravuras,
tudo afinal o que te faz viver
e mais o tudo que, vivendo, fazes.

Ventos do mundo sopram; quando sopram,
ai, vão varrendo, vão, vão carregando
e desfazendo tudo o que de humano
existe erguido e porventura grande,
mas frágil, mas finito como as dores,
porque ainda não ficando — qual bandeira
feita de sangue, sonho, barro e cântico —
no próprio coração da eternidade.
Pois de cântico e barro, sonho e sangue,
faze de teu amor uma cidade,
agora, enquanto é tempo.

Uma cidade
onde possas cantar quando o teu peito
parecer, a ti mesmo, ermo de cânticos;
onde possas brincar sempre que as praças
que percorrias, dono de inocências,
já se mostrarem murchas, de gangorras
recobertas de musgo, ou quando as relvas
da vida, outrora suaves a teus pés,
brandas e verdes já não se vergarem
à brisa das manhãs.

Uma cidade
onde possa achar rútila e doce a aurora que na treva dissipaste;
onde possas andar como uma criança
indiferente a rumos: os caminhos,
gêmeos todos ali, te levarão
a uma aventura só — macia mansa —
e hás de ser sempre um homem caminhando
ao encontro da amada, a já bem-vinda
mas, porque amada, segue a cada instante
chegando — como noiva para as bodas.

Dono do amor é servo. Pois é dele
que o teu destino flui doce de mando:
A menos que este amor, conquanto grande,
seja incompleto. Falte-lhe talvez
um espaço, em teu chão, para cravar
os fundos alicerces da cidade.

Ai de um amor assim, vergado ao vínculo
de tão amargo fado: o de albatroz
nascido para inaugurar caminhos
no campo azul do céu e que, entretanto,
no momento de alçar-se para a viagem,
descobre, com terror, que não tem asas.

Ai de um pássaro assim, tão malfadado
a dissipar no campo exíguo e escuro
onde residem répteis: o que trouxe
no bico e na alma — para dar ao céu.

É tempo. Faze
tua cidade eterna, e nela habita:
antes que venham ventos, e te levem
do peito o amor — este tão belo amor
que dá grandeza e graça à tua vida.

(Thiago de Mello)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

9º ERONG ARACAJU




Estamos as vèsperas de realizar mais um ERONG. Essa é uma ocasião imperdível, visto que a mesma é bienal, e ten-se muitas coisas para tratar no que a tenge a epidemia da AIDS aqui no Brasil e todos os procedimentos gestados pelo poder público, bem como as atuações do Movimento Social da AIDS, configurado em suas diversas instâncias de atuação e representação, tanto em nível municipal, estadual, regional e nacional, quanto internacional, no controle social feito por ONGs como a UNGASS, O ICW, a UNAIDS, entre outros. Essa iniciativa é significativa por demais,visto que agrega no seu bojo todo um conjunto de temas relevantes referentes aos avanços da epidemia e no trato que se tem dado aqui no país a mesma. Políticas públicas bemr articuladas e planejadas foram instituídas, ao longo do tempo de AIDS aqui. Programas para a Prevenção e a Assistência vem sendo elaborados e realizados, sempre buscando contemplar as populações, em suas diversas diferenças: crianças, adolescentes e jovens, mulheres, mulheres gestantes em pré-natal, homens que fazem sexo com homens e outros grupos de orientação sexual diferente; e ainda as diversas formas do HIV se manifestar no corpo das pessoas. Todo esse conjunto de fatores vem fazendo com que, ao longo desses tempos de AIDS, a Sociedade Civil se organize cada vez mais e ocupe o seu espaço político realizando suas estratégias para estar acompanhando no campo da saúde e da expressão máxima da epidemia; para ajudar os gestores nas suas programações de forma que as mesma sejam acertivas para a realização de ações políticas que sejam bem suatentadas e se efetivem dando os resultados tão almejados para a melhoria da qualidade e condições de vida das populações HIV Positivas. Mas, o que é mesmo o ERONG? Vamos ver:
O ERONG é um Encontro Regional do Movimento Social da AIDS e de Organizações Não Governamentais – ONGs – que se articulam e atuam junto ao poder público na busca de políticas públicas consistentes que se efetivem para atendimento das pessoas vivendo com HIV/AIDS. Os objetivos desse movimento são vários, dentre eles estão os de fazer controle social, monitorar e avaliar as políticas públicas da saúde gestadas para atender as necessidades das pessoas vivendo com vírus HIV ou doentes com AIDS. Essas políticas dizem respeito especialmente a duas instâncias referentes à epidemia da AIDS, que é a PREVENÇÃO E A SSISTÊNCIA. No que tange a assistência é pontuada essencialmente a Terapia Anti Retroviral, que consta da combinação de medicamentos para as pessoas que se encontram diagnosticadas positivamente para o vírus HIV/AIDS; a disponibilização de Hospitais de Referências onde as pessoas poderão ser recebidas para tratamentos; os Programas Governamentais, que atendam as especificidades das manifestações do HIV/AIDS, que é decorrente dos tipos de manifestações patogênicas; as populações mais alcançadas: por faixa etária, por sexo, por idade, por localidades e condições socioeconômicas, indo além dessas. Quanto à prevenção, são pontuados essencialmente os cuidados para evitar os contágios, a realização de campanhas consistentes para a prevenção, nas quais se orienta o uso da camisinha (masculina e feminina) como medida profilática para que se evite o contágio com o HIV, visto que é na relação sexual que o mesmo ocorre; os locais de referência pública onde as pessoas deverão ir fazer os testes para verificação da sorologia; a distribuição de camisinhas. O ERONG é realizado bi anualmente, nas cinco regiões brasileiras, e os temas discutidos versam sobre a epidemia e os seus correlatos. Nesse encontro, após mesas de discussões, palestras, debates, grupos de trabalho e plenárias, são formuladas as proposições que serão levadas para o ENONG (Encontro Nacional das ONGs AIDS), onde são rediscutidas, votadas e encaminhadas ao Programa Nacional, visto que serão incorporadas nas novas políticas públicas que serão gestadas. O ERONG, assim como o ENONG, são as ferramentas por excelência do Movimento social da AIDS, aqui no Brasil, que juntamente com outros movimentos e grupos da sociedade civil: movimento feminista, Direitos Humanos, e outros mais, juntam suas forças no enfrentamento da luta contra a AIDS no País, não ficando apenas aqui, mas se internacionalizando com outros movimentos, como a UNGASS e o ICW.
Como vocês podem observar na imagem do Folder abaixo, esse ERONG será realizado em Aracaju/Sergipe, nos dias 12 a 15/07/2011.
Do nosso Estado participarão representações formadas pelas ONGs e os Ativistas que compõem o Movimento Social Articulação AIDS de Pernambuco.
Na intensão de deixar você bem informa do vem a ser o ERONG, observe a grade da programação.







Em resumo, o ERONG é um espaço de lutas do Movimento Social de AIDS no Brasil, onde as representações coletivas se agregam para construir articulações políticas buscando soluções que mitiguem os efeitos perversas das manifestações da epidemia da AIDS.
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Miriam Fialho/Recife/ Ativista da Articulação AIDS PE
Consultora e Pesquisadora da Questão AIDS

segunda-feira, 13 de junho de 2011

MAIS POESIAS



CANÇÃO EXCÊNTRICA

Ando à procura de espaço
para o desenho da vida.
Em números me embaraço
e perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
em vez de abrir um compasso,
projeto-me num abraço
e gero uma despedida.

Se volto sobre o meu passo
é já distância perdida

Meu coração, coisa de aço,
começa a achar um cansaço
Esta procura de espaço
para o desenho da vida
Já por exausta e descrida
não me anima a um breve traço

-saudade do que não faço
-do que faço arrependida.

(Cecília Meireles)

Obs.: esta imagem foi feita de um Quadro
que está decorando a Sala de Jantar
do APTº do casal Sr&Srª Bruno Germano e Polyana Fialho.
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Miriam Fialho
Porque eu adoro os escritos da Cecília Meireles

sábado, 11 de junho de 2011

Um Pouco de Poesia para Nós!

Olá, todos e todas!!!
Esta poesia me toca muito, e sei também que tocará todas as pessoas sensiveis que amam e gostam de ser amadas,que sabem construir amizades, sabem deixar suas marcas nos lugares por onde andam, nas ruas por onde passam, nos caminhos que percorreram, sendo esses floridos ou não, sozinhos ou juntos; mas que souberam fazer suas histórias deixando-a como legados ao futuro; e que também sabem captar outras histórias tomando-as como referências para suas próprias vidas. Ter um passado é fundamental. Ter recordações incríveis de coisas boas experimentadas, de gente legal que cruzaram nossas vidas, de experiências vividas e partilhadas com o mundo dos humanos e no mundo natural da vida é tudo o que há de mais significativo quando paramos e avaliamos as nossas trajetórias. Postando esta poesia da Clarice Lispector aqui eu quero dizer aos meus seguidores neste meu blog que tenho em cada um de vocês, a partir do momento que estamos compartilhando esse espaço virtual, que cada um de vocês é importante demais na minha história, e cada vez que mais alguém se torna um seguidor deste blog, esse alguém está me dizendo que em qualquer uma das publicações postadas por mim aqui, ele se olhou, ele se identificou, se percebeu e também o fez na minha direção. Ou seja, nós nos identificamos em pontos que possuem comuns, em coisas que contém similaridades, nos nossos gostos e nas interpretações que fazemos em tantos recortes e retratos dessa vida. Saibam que para mim é muito legal vivenciar isso, dividindo com todos vocês essa bela poesia. Saibam que me faz feliz por demais lhes escrever para dizer isso: Amo muito a cada um de vocês meus amigos queridos. Vamos tocar juntos a vida e sempre construíndo em cada fase vivida mais um retratinho para nossos álbuns de saudosas recordações.
Bem, é isso. Aqui fica meu caliente abraço em cada um de vocês!

---MiraFialho, amiga para sempre.---




SAUDADES

Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...
Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter se Deus quiser...
Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo,
lembrando do passado e apostando no futuro...
Sinto saudades do futuro que se idealizado,
Provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria e nem apareceu;
de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!
Daqueles que não tiveram como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!
Sinto saudades de coisas que tive de outras que não tive
mas quis muito ter!
Sinto saudades de coisas que nem sei se existiram.
Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...
Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!
Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!
Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,
Sinto saudades das coisas que vivi e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.
Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
Aliás, dizem que se costuma usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... Fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples
"I miss you" ou seja lá como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima corretamente
a imensa falta que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.
E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...

(Clarice Lispector)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

FILOSOFANDO



VIVER NÃO DÓI

Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém
das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.

Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e
passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por
todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os
shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e
paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que , esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.

(Carlos Drummond de Andrade)

terça-feira, 31 de maio de 2011

Textos e Contextos: Algumas Considerações






O QUE É TEXTO

Texto é um termo de significação ampla, e, portanto aberta sugerindo interpretações diversas. Os dicionários definem texto como sendo palavras próprias de um autor; o conteúdo de um livro, ou de escritos. Também são palavras citadas para comprovar alguma coisa; palavras bíblicas que o orador sacro cita, tornando-as a base do sermão. Na definição lingüística texto pode ser definido como conjunto de palavras e frases, articuladas sobre qualquer assunto, ou temas, que são tratados conjuntamente. A distribuição articulada de palavras que resultam num texto norteia o pensamento de outras pessoas que estejam buscando interpretações lógicas para determinadas realidades, situações que possam estar sendo investigadas, observadas, analisadas, etc. Portanto, texto é o produto final de buscas de categorias estudiosas, ou não, dentro dos espaços da produção do saber, ou de outras construções do conhecimento que dá visibilidade ao que se pensou, pesquisou e construiu no mundo da idéias organizadas. Um texto mostra a finalização dos trabalhos literários feitos sob abordagens bem construídas e bem delimitadas que vai sendo repassado para que outros indivíduos tomem conhecimento de que determinadas idéias elaboradas, resultaram na agregação sistematizada das palavras, dentro de ordens e lógicas para divulgação de vários conteúdos elaborados. Um texto serve como uma ferramenta de consulta para um contingente ilimitado de pessoas, que estão procurando respostas a muitas interrogações acerca de diversas questões levantadas para esclarecimentos de situações diversificadas do viver cotidiano dos indivíduos.

Pensando numa premissa lingüística texto traduz semânticas, explicações das linguagens formadoras de opiniões, ou não, dos discursos. De modo que, o texto é estruturado, articulado, para garantir os aspectos semânticos daquilo que compõe seu conjunto idealístico. Por sua vez, é na sua estruturação idealística que as relações lingüísticas garantem as interpretações dos conteúdos em perspectivas. Na sua construção, o texto deve ter uma formação coerente, ser coeso para garantir a fidedignidade do conteúdo interpretado, que estabeleça relação e interligação dos conteúdos e as compreensões dos sentidos e significados, tanto no simbólico e imaginário, quanto do real-empírico do que o texto está tratando, contidos nas abordagens que lhe dá forma textual. É fundamental que no texto seja percebida a conexão entre as palavras, expressões verbais e linguagem frasal. O texto requer ter um significado explicativo que sugira interpretações hermenêuticas e sistêmicas, especialmente quando seus conteúdos textuais estão veiculando explicações teóricas. Na construção do texto algumas interpretações possuem relevância, dentre elas está à semiótica, visto que esse recurso lingüístico pode ser uma estratégia direcionadora da idéia que esteja sendo seguida pelo autor, no que ele quer expressar para dar legivisibilidade ao conteúdo que está sendo exposto.

O texto tem diversas estruturas e formas de ser construído, interpretado e visualizado. Assim, pode ser escrito em formato de livros, artigos, crônicas, entrevistas e muitos outros; pode ser comunicado oralmente em forma de conferencias, palestras, exposições em mesas, etc. Pode ainda ser comunicado nas artes gráficas, como ilustrações em pôsteres, imagens e graffitagens. O que se torna bem significativo no texto é que, de qualquer forma que o mesmo seja construído ele deverá garantir coerência de linguagem, de comunicação visual no seu conteúdo conjuntivo a partir do que está sendo exposto ou falado; ser sugestivo no que se propõe a comunicar textualmente; ter criatividade e autenticidade no que está divulgando, e ser sugestivo para a crítica.

O Que é Contexto

Contexto também é um tema de significação ampla e por assim dizer de semântica muito abstrata. Se texto é um tema amplo, a sua explicação lingüística é favorecida quando o mesmo assumi forma de livro, ou de um artigo escrito, ou até mesmo de uma imagem publicada, de um banner feito, etc. Quanto ao termo contexto dar uma interpretação conceitual do mesmo fica por demais complexo de o fazer visto que o mesmo além de ser amplo por demais, ainda vem subjacente a um tipo de subjetividade tão complexo que se torna quase que impossível tornar inteligível para as pessoas o seu sentido e significado. Contexto pode ser conceituado como a relação entre o texto e a situação em que ele ocorre. É um conjunto circunstancial em que a mensagem se produz. O lugar e o tempo, o emissor e o receptor, possibilitam que haja a compreensão correta entre as duas instancias que se completam ou se interpõem. Ou seja, o contexto revela realidades, situações, ocorrências de fatos que terminam por incorrer na produção do texto. Contexto é o conjunto; o aparato crítico; o todo onde se constroem os textos. É ainda o espaço-tempo onde uma dada situação se instaura, se apresenta. Por exemplo, numa comoção social resultante de ocorrência de catástrofes derivadas de fenômenos geográficos, ou algum tipo de ocorrência de algum tipo de violência praticada por alguém que vem afetar muitas pessoas; o lugar, o modo, onde ocorreu a morte de alguma personalidade, que venha causar perplexidade no tecido social, podem ser interpretados como contextos criados e que fragilizam as populações e, portanto requerem que se tomem decisões para resolver as situações emergenciais causadas por aqueles fenômenos. O Contexto é o que explica e justifica as ocorrências de situações, alegres ou tristes, ruins ou boas, compreensíveis ou não, e a partir dessas situações são emitidos juízos de valor, interpretações justas ou injustas, tomam-se resoluções acertadas ou não. Nesse parecer à opinião pública tem proeminência, visto que é a partir das opiniões que outros mecanismos são ativados para se chegar ao consenso. Exemplificando: o advento da epidemia da AIDS causou uma situação de muitas preocupações, inquietações, gerando significativos conflitos sociais, visto que no inicio do seu surgimento se responsabilizaram uma categoria de pessoas como os responsáveis pelo acontecimento: os gays, tomados como os grupos de risco foram tidos como os responsáveis pela AIDS, vindo a sofrer todo tipo de preconceitos e discriminação quando se sabia que o individuo estava soropositivo para o vírus HIV. Nessa experiência os contextos socioeconômicos e culturais pesaram muito para que se buscasse uma solução justa para lidar com a questão AIDS. O contexto é tão subjetivo quanto é o texto. Ele se instaura nos universos simbólicos e imaginários da linguagem, e somente a partir da interpretação que lhe é dada por alguém, ou por uma instituição, como a justiça, por qualquer outra instancia social é que ele é tomado e serve como base explicativa.

Assim, o contexto passa a ser visto como um estado da realidade que poderá ser favorável, ou não, para que ocorram as mudanças requeridas. O contexto é o espaço da ocorrência da situação, e assim sendo o mesmo se inscreve de formas diferentes, pois está definitivamente ligado a produção humana, a ocorrência de fatos, e também as expressões culturais. Portanto, contexto tanto é um espaço físico onde as coisas acontecem, como também pode ser o espaço tempo que as coisas requerem para poder acontecer. O contexto é a expressão crítica e situacional onde as ações reais dos indivíduos ocorrem. Sendo ele favorável ou não aos resultados esperados ele existe, é permanente e só muda se forem tomadas as medidas devidas, que contextualizadas, deveram gerar as mudanças necessárias ao que está sendo mostrado no contexto em perspectiva. A palavra contexto também tem sua explicação semântica na lingüística, onde autores renomados como Malinowski, dentre outros tantos, realizaram estudos para entender e explicar a terminologia dessa palavra. Contexto é um conjunto de circunstancias em que mensagens são construídas, é a relação entre texto e a situação na qual ele se isntaura.

Texto e Contexto

Textos e contextos são duas palavras que se complementam. Ao que tudo indica, não é possível pensar nem muito menos entender o texto se o contexto não for considerado adequado para tanto, e também, não se pode criar o texto se não houver uma situação contextual que possa ser tomada como a base referencial de onde o texto possa ser originado. O contexto termina por ser de uma significação singular na produção do texto. Seja ele em qualquer nível que venha a se instaurar. Se for à arte gráfica, na escrita, na imagem, o texto vai partir sempre do contexto, de uma linguagem circunstancial que lhe dará origem e sentidos explicativos para ser tomado como contexto do texto. Os termos textos e contextos, portanto, são de grande utilidade como as ferramentas da linguagem que se usam, culturalmente dentro de todos os espaços onde os indivíduos se inserem e produzem algum tipo de saber, tanto do senso comum, quanto da produção do conhecimento. Nas explicações teóricas das representações sociais esses termos são de muita valia. Tanto texto quanto contexto, ambos são lugar e tempo para possibilitar a compreensão correta e adequada das realidades dadas.


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MIRIAM FIALHO
Consultora Clínica
Pesquisadora

quinta-feira, 26 de maio de 2011

CANDLELIGTH 2011















CANDLELIGTH – LUZ DE VELAS

O evento se configura numa vigília que simboliza a luta contra o vírus HIV que é o causador da doença de AIDS. Nesse ato simbólico são acesas velas em memória dos que já partiram por morte de AIDS. O Candleligth acontece desde 07 de maio de 1983 quando um grupo formado por mães, parentes e amigos de pessoas que morreram em função do HIV/AIDS organizou, em Nova Iorque, a primeira vigília em memória das pessoas que haviam falecido com a doença. Esse movimento foi interpretado pelas populações mundiais como um ato significativo e necessário de internacionalizar a dor que é sentida pelos que perdem o seu enti querido por morte com AIDS. Sendo que, essa realidade do morrer com tal doença ainda são mais dolorosas do que alguém pode imaginar, visto que subjacente a essa morte existe uma gama significativa de preconceitos e descriminação até o presente quando já se completou três décadas da Pandemia. De forma que o Candlelight - Luz de Velas – , passou a ser um Ato Simbólico mas que chama as pessoas para olhar de forma mais humana e responsável para a dor dos outros a partir das velas acesas que nesta ocasião sinalizam uma estratégia de vigilância. Desde então, essa vigília acontece em centenas de cidades no mundo.

Dentre tantos outros significados o Candleligth também é uma ferramenta do Movimento Social da AIDS usada para reivindicar dos poderes públicos a execução de políticas públicas da Saúde para prevenção e assistência às pessoas vítimas dessa epidemia, como também de comunicar para a sociedade qual é a situação da epidemia no estado e como a mesma está sendo tratada pelos governantes ao longo nas gestões políticas. Assim, o Candleligth funciona não somente para homenagear os que já se forma, mas também como uma ação estratégica de sensibilizar e mobilizar os governantes, as empresas e as comunidades civis para a necessidade de ampliação das pesquisas; da garantia do acesso aos medicamentos e da assistência integral para os portadores do HIV/AIDS, além da luta pela realização de ações estratégicas que contemplem o enfrentamento da AIDS em suas diversas formas de manifestações: população prevalente nos índices de infecção; terapia Ante Retroviral; Hospitais de referencias para o trato dos efeitos colaterais dessa terapia: a Lipodistrofia assumindo aí o carro chefe da situação; as Casas Abrigos para populações em situação de vulnerabilidade, sem ter moradia fixa; Planos de enfrentamento para a Feminização da epidemia, indo alem desses. De forma que no ato do Candleligth essas questões são trazidas a discussão. Para dar um aspecto de

Neste ano de 2011 o Candlelight trás como tema “Tocando Vidas”, que chama a tenção para questões referentes aos cuidados com a terapia Anti-Retroviral, a qualidade de vida dos pacientes em terapia combinada e as políticas governamentais para enfrentamento da epidemia neste ano de 2011. A iniciativa da ação é da ONG GTP+ - Grupo de Trabalhos em Prevenção Positiva, em parceria com outras instituições parceiras e também o movimento social da AIDS em Pernambuco: Fórum Articulação AIDS.

A programação deste evento constará de uma exposição de fotos, apresentações teatrais sobre o tema, grafitagem e atrações culturais. Por fim serão relacionadas as pessoas que já morreram com a doença da AIDS e as velas serão acesas em homenagem a memória dessas pessoas. A questão que o Candleligth está trazendo esse ano para discussão é a falta de medicamentos Anti-Retrovirais, como o Efavirez, Biovir, Atazanavir, Saquinavir, tenofovir e Maraviroc. Denunciando também as muitas dificuldades encontradas pelos pacientes ao acesso aos leitos nos hospitais de referência quando o caso é fazer o internamento do paciente que está em situação de ser imediatamente internado.

A título de informação, a camisinha é atualmente, o mecanismo mais eficiente para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e também para o planejamento familiar. Apesar disso, a maioria das populações ainda não utiliza o preservativo como uma forma ideal para prevenir as doenças sexualmente transmissíveis, bem como evitar uma gravidez indesejada. De acordo com o boletim epidemiológico AIDS/DST de 2010, os jovens, apesar do alto conhecimento sobre prevenção da AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis, se encontram em um quadro significativo, que remonta para a tendência de crescimento do HIV.

Os números de casos de AIDS no Brasil até o mês de junho de 2010, segundo o último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde foi de 592.914, sendo 65,42% entre a população masculina e de 34,58% entre população feminina. E aqui nessa referência não está sendo considerada a faixa etária, as categorias de gênero, a pauperização, nem interiorização. Segundo o Governo de Pernambuco, o número de casos de AIDS até 13 de fevereiro de 2011 são 15.484 casos, sendo 10.233 em homens e 5.251 em mulheres.

O que se faz notório nesse ato do Candleligth é a solidariedade, os vínculos de afetos e ternura que são trocados entre todas as pessoas que estão engajadas nessas lutas de enfrentar a perversidade de um diagnóstico de soropositividade para o vírus HIV/AIDS; por um lado. Por outro também é bastante gratificante a comprovação da solidariedade das outras pessoas que nem sabem exatamente do que está tratando o movimento, mas param nas ruas, recebem os panfletos que são entregues contendo informações sobre e doença, sobre a prevenção as DSTs e as formas de se fazer sexo seguro usando a camisinha.