terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Reflexividade





O POEMA DA SEMELHANTE

O Deus da parecença
Que nos costura em igualdade
Que nos papel-carboniza
Que nos populariza
Que nos banaliza
Por baixo e por dentro,
Foi esse Deus que deu
Destino aos meus versos,
Foi Ele quem arrancou deles a roupa de indivíduo
Ainda maior, embora mais justa.
Me assusta e acalma
Ser portadora de várias almas
De um só som comum eco
Ser reverberante
Espelho, semelhante
Ser a boca
Ser a dona da palavra sem dono
De tanto dono que tem.
Esse Deus sabe que alguém é apenas
O singular da palavra multidão.
É mundão
Todo mundo beija, todo mundo almeja,
Todo mundo deseja
Todo mundo chora
Alguns por dentro
Alguns por fora
Alguém sempre chega
Alguém sempre demora.
O Deus que cuida do
Não-desperdício dos poetas
Deu-me essa festa de similitude
Bateu-me no peito do meu amigo
Encostou-me a ele
Em atitude de verso beijo e umbigos,
Extirpou de mim o exclusivo:
A solidão da bravura
A solidão do medo
A solidão da usura
A solidão da coragem
A solidão da bobagem
A solidão da virtude
A solidão da viagem
A solidão do erro
A solidão do sexo
A solidão do zelo
A solidão do nexo.
O Deus soprador de carmas
Deu de eu ser parecida
Aparecida
Santa
Puta
Criança
Deu de me fazer diferente
Pra que eu provasse
Da alegria
De ser igual a toda gente.
Esse Deus deu coletivo
Ao meu particular
Sem eu nem reclamar.
Foi Ele, o Deus da par-essência
O Deus da essência par.
Não fosse a inteligência
Da semelhança
Seria só o meu amor
Seria só a minha dor
Bobinha e sem herança
Seria sozinha minha esperança.

(Eliza Lucinda)

Alice no País das Maravilhas...








PARA MARIA DA GRAÇA

Agora, que chegaste à idade avançada de 15 anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas.
Este livro é doido, Maria, isto é: o sentido dele está em ti.
Escuta: se descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende, pois logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da liberdade.
A realidade, Maria, é louca.
Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: “Fala a verdade Dinah, já comeste um morcego?”
Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou para pior, isso acontece muitas vezes por ano. “Quem sou eu no mundo?” Essa indagação perplexa é o lugar-comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma como em teus ossos, mas forte ficarás. Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.
A sozinhez (esquece esta palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: “Estou tão cansada de está sozinha aqui”. O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada, e vice-versa, fechar uma porta bem aberta.
Somos tão bobos, Maria. Praticamente uma ação trivial, e temos a presunção petulante de esperar dela grandes conseqüências. Quando Alice comeu o bolo, e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, as pessoas comem bolo.
Maria há uma sabedoria social ou de bolso, nem toda sabedoria tem de ser grave.
A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir perdão 7 vezes ao dia: “I beg yuor pardon!” Pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para tua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto-de-vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice:: “gostarias de gato se fosse eu?”
Os homens vivem apostando corridas, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namorados, todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas que, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo o que não é tão ridícula muitas vezes, por caminhos tão escondidos, que quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: “a corrida se a gente não vai saber quem venceu. Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupes a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre aonde quiseres, ganhaste.
Disse o ratinho: “Minha história é longa e triste!” Ouvirás isso milhares de vezes. Como ouvirás a terrível variante: “Minha vida daria um romance”.
Ora como todas as vidas vividas até o fim são longas e tristes, e como todas as vidas dariam romances, pois o romance é só o jeito de contar uma vida. Foge polida, mas energicamente, dos homens e mulheres que suspiram e dizem: “Minha vida daria um romance!” Sobretudo dos homens, uns chatos irremediáveis, Maria.
Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Ao contrário do que se pensam os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar. Quero dizer o seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepare-te para a visita do monstro e não te desesperes ao triste pensamento de Alice: “Devo estar diminuindo de novo”. Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.
Escuta esta parábola perfeita: Alice tinha encolhido tanto de tamanho que tomou um camundongo como hipopótamo. Isso acontece muito, mas não sejamos ingênuos, pois o contrário também acontece. E é outro escritor inglês que nos fala mais ou menos assim: o camundongo que expulsamos ontem passou a ser hoje um terrível rinoceronte. É isso mesmo. A alma da gente é uma máquina complicada, que produz durante a vida uma quantidade imensa de camundongos. O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar bem disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou em nossos domínios disfarçados de camundongos. E como tomar o pequeno por grande e grande por pequeno é sempre cômico, nunca devemos perder o bom humor.
Toda pessoa deve Ter três caixas para guardar humor, uma caixa média que a gente precisa Ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para as grandes ocasiões. Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos, em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos uma droga ou muito bacanas. Cuidado com as grandes ocasiões!
Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá. A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por “isso, Alice depois de ter chorado uma lagoa, pensava: agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas”.
Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida. É feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa dor.


(O colunista do morro – Paulo Mendes Campos).

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Observação:
As imagens foram pesquisadas no portal do Google

sábado, 25 de dezembro de 2010

O SENTIDO DO NATAL







"MAS a aflição dos que estiveram sofrendo vai acabar. No passado, Deus humilhou a terra das tribos de Zebulom e de Naftali; mas no futuro Ele tornará fomosa essa região, que vai desde o Mar Mediterrâneo até a terra que fica no lado leste do rio Jordão, isto é, a Galiléia dos pagãos.
O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz. Tens multiplicado este povo, a alegria lhe aumentaste; alegrem-se eles diante de ti, como se alegram na ceifa e como exultam quando repartem os despojos. Porque tu quebraste o jugo que pesava sobre eles, a vara que lhes feria os ombros e o cetro do seu opressor, como no dia dos midianitas; porque toda bota com que anda o guerreiro no tumulto da batalha e toda veste revolvida em sangue serão queimadas, servirão de pasto ao fogo. Porque um menino vos nasceu, um filho se vos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conseilheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz, para que aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo, desde agora e para sempre. O zelo do SENHOR dos Excércitos fará isso. (Bíblia - Profeta Isáias 9: 1-7)

(AGUARDEM A COMPLEMENTAÇÃO DESSE EDITORIAL)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010




1º de dezembro – Dia Mundial de Luta contra AIDS
Vamos precisar de todo mundo!

Recife, 01 de dezembro de 2010

Vossa excelência a senhora
Deputada Teresa Leitão
Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco

Articulação AIDS em Pernambuco fundada no segundo semestre de 1996 em Recife, é um fórum de articulação política do movimento de luta contra a AIDS que congrega Organizações da Sociedade Civil, Redes, Movimentos e Ativistas Independentes que atuam no campo da luta contra a AIDS no Estado, sem distinções religiosas, raciais, étnico-raciais, ideológicas, de gênero, de classe social, de orientação sexual, de faixa etária, partidárias ou sorológicas.

Em Pernambuco, temos o total de 14.751 casos de AIDS, 9.831 homens e 4.938 mulheres* dos quais apenas 5400 adultos e 211 crianças fazem o uso de medicamento de antirretrovirais e medicamentos complementares para evitar as doenças oportunistas, a exemplo da tuberculose que é a doença oportunista que mais mata pessoas vivendo com AIDS no mundo.
Consideramos que grandes esforços têm sido realizados pelo governo, no sentido de colocar a disposição de todos os brasileiros e brasileiras, os avanços e os conhecimentos para superação da epidemia de AIDS, que visem dentre outras as ações previstas à garantia do acesso aos medicamentos, as novas tecnologias e métodos que agilizem o diagnóstico e conseqüentemente o tratamento. No entanto esse mesmo movimento que reconhece a resposta brasileira AIDS, tem identificado em todo o território nacional, que de forma intercalada e continuada esta conquista vem sendo colocada em xeque, em especial a relacionada a assistência, como acolhimento em casas de apoio, serviço de lipodistrofia, os medicamentos necessários,

a garantia de investimento na produção nacional, no sentido de ampliar a capacidade instalada, habilidade e competência para produção de antirretrovirais e dos princípios ativos e, aplicar as leis, caso haja violação desses direitos. Neste momento, atualizamos o contexto da epidemia de AIDS em Pernambuco, ressaltando algumas questões:

• Moradia – enfrentamos a ausência de uma política que amplie e fortaleça as casas de apoio para a população vivendo com HIV/AIDS em situação de rua, neste sentido a Articulação AIDS em Pernambuco criou uma Comissão de Política de Casas de Apoio/ Moradia com objetivo de construir incidência para pautar diálogo e articulações com os conselhos de políticas públicas e governo, ressaltando a necessidade da política de moradia inserir a necessidade das pessoas vivendo com HIV/AIDS. Durante todo processo, avaliamos que a casa abrigo não pode ser compreendida como acesso a moradia, como vem sendo compreendida no nosso Estado. Tirar as pessoas da rua é uma ação emergencial que precisa está articulada a uma política estrutural. Neste ano, após uma série de visitas realizadas na Casa de Apoio para soropositivo/as Sempre Viva foram diagnosticados, os problemas como: Ausência de uma equipe multidisciplinar para acompanhamento das pessoas residentes na Casa; Ausência de um Plano de ações educativas e de geração de renda para as pessoas residentes na Casa; Ausência de uma Rede de parcerias para inclusão social das pessoas soropositivas, dentre outras.

• Hospital de Referência para tratamento da Lipodistrofia - falta de hospital de referência e de profissionais especializados para realização dos procedimentos cirúrgicos em pessoas vivendo com AIDS que sofrem com os efeitos dos Antiretrovirais que acarretam a lipodistrofia, perda de gordura em algumas partes do corpo. Esta ausência de referência compromete severamente a saúde das pessoas, isolando-as do convívio social já que as mesmas têm dificuldades, por exemplo de sentar, de exposição ao sol, frio. Estas, entre outras questões, violam o direito de ir e vir do exercício da cidadania.

• Garantia dos direitos – ausência de lei de proteção no estado para pessoas vivendo com HIV/AIDS, hoje não possuímos leis em nosso Estado que garantam os direitos dessa população.

• Iniciativas com a criação dos planos de enfrentamento a epidemia de HSH - Plano de Enfrentamento da Epidemia de DST/AIDS entre Gays, HSH e Travestis e Plano Estadual de Enfrentamento a feminização da Epidemia de AIDS, foram fortemente apoiados pelos movimentos sociais, consta como prioridade nas pautas governo municipais, estaduais no entanto os recursos necessários a sua execução, continuam sem dotação orçamentária especifica para implementação das ações planejadas.

Diante de tal contexto a Articulação AIDS em Pernambuco solicita a Deputada Teresa Leitão recomendação para a criação de uma Frente Parlamentar de DST, AIDS e Tuberculose em Pernambuco em 2011, por acreditar ser este um mecanismo que articula sociedade civil e une o poder Legislativo, o Executivo, e as pessoas envolvidas com a causa para que possam dialogar, avaliar, propor e, implementar política pública de assistência que articule conscientização, a prevenção,e os respeito aos direitos dos/as pacientes, além de fortalecer os planos de enfrentamento da epidemia em mulheres, homens e população LGBT. A Assembléia Legislativa é a casa do debate, é a casa do diálogo, da representação dos anseios de cidadãs e cidadãos, sendo assim a criação de uma Frente Parlamentar de DST, AIDS e Tuberculose em Pernambuco fortalecerá o enfrentamento desta problemática presente na vida de cidadã e cidadãos pernambucanos/as.

A Articulação AIDS em Pernambuco, a Rede de Nacional de Pessoas Vivendo com AIDS/Núcleo Pernambuco, assim como outros movimentos sociais aqui presentes, acreditam que a incorporação da luta contra AIDS na agenda do Poder Legislativo será um mecanismo importante para garantia de qualidade de vida das pernambucanas e pernambucanos que lutam cotidianamente para manter-se vivos/as diante de um contexto onde há poucas iniciativas satisfatórias. Estes descasos não só quebram pactos de campanhas eleitorais, planos governamentais, compromissos internacionais, mas, sobretudo, violam o direito humano das pessoas vivendo com HIV/AIDS.

Por fim, mais uma vez solicitamos a vossa excelência Deputada Teresa Leitão o compromisso de pautar a criação de uma Frente Parlamentar de DST, AIDS e Tuberculose no Estado de Pernambuco em 2011 em diálogo com o movimento de luta contra AIDS .

Certas/os de contar com seu esforço e compromisso, reforçamos que desde já estaremos atentas/os e dialogando sobre esta solicitação porque para nós, como diz nosso slogan deste ano, o 1º de dezembro – Dia Mundial de Luta contra AIDS – Vamos precisar de todo mundo!
Agradecemos por nos ter recebido e encerramos com trechos de uma música que simboliza este espaço e o momento político.

Anda!
Quero te dizer nenhum segredo
Falo nesse chão, da nossa casa
Bem que tá na hora de arrumar
Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que dois
Prá melhor juntar as nossas forças

(O Sal da Terra do compositores Beto Guedes e Ronaldo Bastos)

Organizações, Redes, Movimentos e Ativistas Independentes que formam a Articulação AIDS em Pernambuco:
GESTOS – Soropositividade, Comunicação e Gênero
Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids – Núcleo Pernambuco
Pastoral da AIDS
Visão Mundial
Espaço Vida - É Vida
Atos de Cidadania
ASQV
AME-PE
Grupo Cactos
Casa de Amparo Social e Promoção Humana Herbert de Souza
GTP+ - Grupo de Trabalho em Prevenção Posithivo
AMOTRANS-PE
Instituto Papai
SOS Corpo
APPS
Clube de Mães do Alto do Refúgio
Grupo Mulher Maravilha
GHC-Cabo
GGP
Movimento Gay Leões do Norte
BEMFAM-PE
Diaconia
Curumim – Gestão e Parto
Renilze Guedes
Roberto Brito
Miriam Fialho
Sandra Lúcia da Silva
Alexandre Magno
José Cândido
João Santos
Roberto José da Silva
Juliana Alves


Este Documento foi entregue pela Articulação AIDS a Deputada Tereza Leitão, num encontro na Assembléia Legislativa no dia 1º de Dezembro de 2010. Tivemos a participação das Organizações Não Governamentais que atuam no enfrentamento da Epidemia da AIDS, bem como de outras que também estão nas lutas por políticas de públicas para as diversidades; pelo excercicio da cidadania ativa e o respeito a Democracia; Lutando pelo efetivação dos princípios norteadores do SUS (sistema Único de Saúde, que são: Integralidade, Equidade, e Universalidade; O respeito as diversidades, e aos Direitos Humanos, dentre outros fatores.
Os objetivos da Articulação ao estabelecer a abertura dessa frente popular que seja o marco histórico de mais um avanço na luta contra a AIDS.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Fazendo Ativismo na AIDS









O Movimento Social ainda permanece sendo a ação social de relevante expressão para que a sociedade se unifique e busque concretizar a efetivação do que ela precisa para o viver em sociedade. Enquanto instâncias de identidades coletivas, os movimentos sociais focam os seus problemas de vivência cotidiana e sai em busca das elites políticas governamentais: os gestores, para estabelecer formas de resolução das problemáticas pautadas. Isso ocorre nas diversas representações institucionais da sociedade. É na instância da vida financeira, na educação, habitção, saúde, trabalho, cultura e lazer. A fim de que essa representação alcançe proeminência junto aos poderes, é fundamental que os moviementos sociais sejam muito bem articulados, consistentes tendo a sua causa bem focada. O ativismo é antes de tudo uma luta individual, é de cada um, para depois ela ser coletiva, ser a luta de todos, do grupo coeso e organizado com uma instância identitária, mesmo que diversificada, mas ao mesmo tempo coesa. O Ativismo é uma prática coletiva que norteia e impele o movimento social pra frente, somente com uma ótimização da prática coletiva do ativismo é que se pode fazer com êxito o movimento social.

O Dia 1º de Dezembro foi instituido pela Organização Mundial da Saúde, em 1987 (OMS). Essa iniciativa de eleger essa data como uma data de referência para falar de HIV e de AIDS se configurou numa estratégia de significativa relevância, no sentido de chamar a atenção da sociedade para os desdobramentos do fenômeno da Pandemia AIDS, nos moldes como esse passou a instaurar nos diversos segmentos sociais e contextos estruturais, do viver humano e social. Completando hoje 23 anos de sua instauração, não percebemos ainda, ou não vimos ainda, uma ação por parte da sociedade que venha requerer e querer saber realmente o que é a AIDS? Como se pega a AIDS? Para ouvir o que é essa doença ainda não está no foco dos interesses das pessoas. Pensando a epidemia da AIDS numa linha do tempo em nosso pais,o Brasil, é possível se pontuar muitos avanços nas políticas públicas governamentais para o enfrentamento da AIDS,nas diversificadas camadas sociais; nas diferentes faixas etárias; nas questões referentes a relação de gênero; e as diversidades das diferenças nas condutas socioculturais para raça, etinia, orientação sexual, profissional do sexo e os drogaditos; essa ainda guarda em seu conteúdo explicativo, tanto no campo da ciência da medicina, quanto nos espaços onde vivem as pessoas alcançadas por essa epidemia. Desde o seu surgimento aqui no país em 1982 que começou-se a aparecer os primeiros casos de HIV/AIDS que as pessoas começaram a se reunir em movimento social para a formação de uma agenda política para se iniciar o enfrentamento da epidemia. Sendo, portanto, nesse contexto que nasce com muita força o Ativismo na AIDS. Ao longo dessas quase 30 décadas, as lutas do movimento social tem sido gigantes junto aos poderes públicos, em seus diversos campos de atuação para dar assistência as populações brasileiras afetadas pelo HIV/AIDS. Passando por vários percalços, chega-se ao final da primeira década do seculo XI com um quadro que não está muito diferenciado dos anteriores, apesar das descobertas feitas sobre a AIDS, do Programa Satisfatório de Combate a AIDS elaborado e em desenvolvimento aqui no país, e que tem atendido substancialmente ao público afetado; das vacinas em testes, da institiuição dos comitês de vacinas aqui no Brasil, dos avanços das pesquisas e tantas outras configurações, o Brasil continua ainda, sendo um país que tem uma situação preocupante no tange a questão do HIV/AIDS. No estado de Pernambuco, desde a sua primeira notificação, ocorrida em 1983, em uma pessoa de sexo masculino, até hoje já se registrou 14.751 casos de pessoas alcançadas pela AIDS. (Diário de Pernambuco - caderno C4- Vida Urbana - Saúde - pag C4 - 01/12/2010). Dentro de todo o contexto da discussão da epidemia da ADIS, fica notória a perticipação da Sociedade Civil, categorizada em movimento social da AIDS, lutando pela gestão das políticas públicas e sociais para derimir o avanço da doença. Isso em nível nacional. São muitas as lutas, visto que o Estado brasileiro ainda não percebeu que essa causa é uma causa de sua inteira responsabilidade. Ele cria as leis, estabelece as politicas, elege os gestores devidamente qualificados nas metodologias, porém as coisas não fluem, a situação permanece praticamente a mesma, com a rapidez que o contexto requer. Ao longo desse tempo da epidemia, desde a instituição do dia primeiro de dezembro como o Dia Mundial da Luta contra a AIDS, o movimento social da AIDS, agragado aoutros movimentos, como o Feminino, tem corrido atrás dos gestores, fazendo o controle social, monitorando as políticas públicas, lutando pelas melhorias no SUS, se organizando e sentando junto com o poder estatal para melhor e alcançar seus objetivos de mudanças de vida concretas para as pessoas vivendo com o HIV/AIDS. Portanto, Diversas formas de expressão possíveis vem sendo instituídas pelo movimento social AIDS, que está atualmente se organiza em: FÓRUNS REGIONAIS, FÓRUM NACIONAL, MOVIMENTO DE MULHERES, para que juntos possam criar seus territórios de lutas e representaçãos políticas no trato da questão HIV/AIDS. De forma que nesse 1º de Dezembro 2010, aqui em Pernambuco, o Fórum Articulação AIDS PE juntamente com outros movimentos, assumiu como ação estratégica focar sua atenção junto ao poder Legislativo para entragar um DOCUMENTO a uma das representantes da Assembléia Legislativa,a Deputada Tereza Leitão, no qual a Articulação AIDS PE está pontuando a situação da AIDS aqui no estado, propondo a partir do estudo desse documento, a criação de uma Frente Parlamentar que garanta ao Fórum a concretização da realização das políticas públicas propostas para o estado, porém não efetivadas do modo com é prara ser efetivado. AIDS é coisa muito séria e ela permanece com causando seus danos graves na vida dos jovens, mulheres, crianças, idosos. Nas fotoa postadas acima, estão sendo mostrados alguns recortes do que foi o ato do Ativismo AIDS realizado pelas ONG's que formam a Articulação AIDS PE. Teve-se também apitaço, batucada e entrega em pontos extratégicos de informativos sobre a AIDS, outras DST's, e aprevenção contra a mesma.
Hoje, 1º de dezembro, é o dia escolhido internacionalmente para reforçar os conceitos de solidariedade e de compreensão para com aqueles que, infectados com o vírus HIV, ainda enfrentam o preconceito velado da sociedade, a discriminação e a intolerância. Prevenir é preciso, pois a AIDS não escolhe classe social, idade ou cara bonita. A AIDS é uma questão de todos nós, seres humanos.
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M.FiS - Consultoria & Eventos
Miriam Fialho da Silva
Mestre em Sociologia - UFPE
Especializada na Pesquisa da AIDS

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Poesia

Sugestão


Antes que venham ventos e te levem
do peito o amor — este tão belo amor,
que deu grandeza e graça à tua vida —,
faze dele, agora, enquanto é tempo,
uma cidade eterna — e nela habita.

Uma cidade, sim. Edificada
nas nuvens, não — no chão por onde vais,
e alicerçada, fundo, nos teus dias,
de jeito assim que dentro dela caiba
o mundo inteiro: as árvores, as crianças,
o mar e o sol, a noite e os passarinhos,
e sobretudo caibas tu, inteiro:
o que te suja, o que te transfigura,
teus pecados mortais, tuas bravuras,
tudo afinal o que te faz viver
e mais o tudo que, vivendo, fazes.

Ventos do mundo sopram; quando sopram,
ai, vão varrendo, vão, vão carregando
e desfazendo tudo o que de humano
existe erguido e porventura grande,
mas frágil, mas finito como as dores,
porque ainda não ficando — qual bandeira
feita de sangue, sonho, barro e cântico —
no próprio coração da eternidade.
Pois de cântico e barro, sonho e sangue,
faze de teu amor uma cidade,
agora, enquanto é tempo.

Uma cidade
onde possas cantar quando o teu peito
parecer, a ti mesmo, ermo de cânticos;
onde posssas brincar sempre que as praças
que percorrias, dono de inocências,
já se mostrarem murchas, de gangorras
recobertas de musgo, ou quando as relvas
da vida, outrora suaves a teus pés,
brandas e verdes já não se vergarem
à brisa das manhãs.

Uma cidade
onde possas achar, rútila e doce,
a aurora que na treva dissipaste;
onde possas andar como uma criança
indiferente a rumos: os caminhos,
gêmeos todos ali, te levarão
a uma aventura só — macia, mansa —
e hás de ser sempre um homem caminhando
ao encontro da amada, a já bem-vinda
mas, porque amada, segue a cada instante
chegando — como noiva para as bodas.

Dono do amor, és servo. Pois é dele
que o teu destino flui, doce de mando:
A menos que este amor, conquanto grande,
seja incompleto. Falte-lhe talvez
um espaço, em teu chão, para cravar
os fundos alicerces da cidade.

Ai de um amor assim, vergado ao vínculo
de tão amargo fado: o de albatroz
nascido para inaugurar caminhos
no campo azul do céu e que, entretanto,
no momento de alçar-se para a viagem,
descobre, com terror, que não tem asas.

Ai de um pássaro assim, tão malfadado
a dissipar no campo exíguo e escuro
onde residem répteis: o que trouxe
no bico e na alma — para dar ao céu.

É tempo. Faze
tua cidade eterna, e nela habita:
antes que venham ventos, e te levem
do peito o amor — este tão belo amor
que dá grandeza e graça à tua vida.

(Thiago de Mello)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A Águia no Sinai


A região do Sinai é chamada de “território das águias”, em que tais aves ascendem e planam com suas asas fortes e amplas. Assim, os israelitas libertos, reunidos junto ao monte Sinai, podiam bem avaliar quão apropriado era o quadro pictórico transmitido pelas palavras de Deus, de que Ele os conduzira para fora do Egito “sobre asas de águias”. (Êx 19:4; compare isso com Re 12:14.) Cerca de 40 anos depois, Moisés podia comparar o modo em que Yehowah guiou Israel através do deserto ao modo da águia que “remexe seu ninho, paira sobre os seus filhotes, estende as suas asas, toma-os, carrega-os nas suas plumas”. (De 32:9-12) Quando chega o tempo para as aguiazinhas começarem a voar, papai ou mamãe-águia remexe neles, agitando e batendo as suas próprias asas para transmitir a idéia a seus filhotes, e então os empurra ou atrai para fora do ninho, para experimentarem suas asas.

Embora alguns tenham duvidado de que a águia alguma vez realmente carregue seu filhote nas costas, Sir W. B. Thomas relata a respeito de um guia na Escócia, que testemunhou, quanto à águia-real, ou águia-dourada, que “as aves genitoras, depois de incitar, e, às vezes, de empurrar o filhote para o ar, colocam-se, numa arremetida, embaixo dele, e repousam o filhote, por um momento, em suas asas e costas”. (The Yeoman’s England [A Inglaterra do Pequeno Fazendeiro], Londres, 1934, p. 135) Um observador nos Estados Unidos é citado no Bulletin do Instituto Smithsoniano (1937, N.° 167, p. 302) como dizendo: “A mãe partia do ninho nos penhascos, e, manejando com aspereza o filhote, deixava-o cair, diria eu, cerca de noventa pés [27 m]; então, ela arremetia por baixo dele, com asas estendidas, e ele pousava nas costas dela. Ela subia para o alto da cordilheira com ele e repetia esse processo. . . . Meu pai e eu ficamos observando isso, fascinados, por mais de uma hora.” G. R. Driver, comentando tais declarações, afirma: “A figura [em Deuteronômio 32:11] não é, então, mero vôo da imaginação, mas se baseia em fatos reais.” — Palestine Exploration Quarterly (Revista Trimestral Sobre Exploração da Palestina), Londres, 1958 pp. 56, 57.

Os hábitos de nidificação da águia são sublinhados nas perguntas que Deus fez a Jó, em Jó 39:27-30. O ninho pode situar-se numa árvore alta, ou numa saliência dum penhasco ou despenhadeiro rochoso. Com o passar dos anos, o ninho pode aumentar para ter até 2 m de altura, sendo que o ninho de algumas águias chega a pesar uma tonelada! A aparente segurança e inacessibilidade do ninho da águia também foram usadas figuradamente pelos profetas nas suas mensagens contra o elevado reino de Edom, nas montanhas escarpadas do Arabá. — Je 49:16; Ob 3, 4.
A rapidez da águia é destacada em muitos textos. (2 Samuel 1:23; Je 4:13; La 4:19; Habacuque 1:8) Há relatos de águias que ultrapassaram a velocidade de 130 km por hora. Salomão avisou que a riqueza ‘faz para si asas’ como as da águia que sobe para o céu (Pv 23:4, 5), ao passo que Jó lamentava a rapidez da passagem da vida, comparando-a com a velocidade duma águia em busca de presa. (Jó 9:25, 26) Todavia, aqueles que confiam em Jeová adquirem poder para ir avante, como se subissem sobre as asas aparentemente incansáveis da águia em seu vôo ascendente. — Is 40:31.
Esta poderosa ave de rapina era um símbolo freqüentemente usado pelos profetas, a fim de representar as forças bélicas das nações inimigas em seus ataques súbitos, e não raro, inesperados. (De 28:49-51; Je 48:40; 49:22; Os 8:1) Os governantes babilônicos e egípcios foram caracterizados como águias. (Ez 17:3, 7) É notável que a figura da águia era usada regularmente em cetros, insígnias e estelas reais de muitas nações antigas, inclusive a Assíria, a Pérsia e Roma, assim como tem sido usada nos tempos modernos pela Alemanha, pelos Estados Unidos e por outras.
Águias são usadas em Apocalipse para representar criaturas que servem o trono de Deus e anunciam mensagens de julgamento da parte de Deus aos que estão na terra, sem dúvida, para indicar rapidez e acuidade visual. — Ap 4:7; 8:13; veja Ez 1:10; 10:14.
É uma ave de rapina, pois caça seu alimento, atingindo animais do pequeno porte, como filhotes de gamos, carneiros, macacos e toda sorte de répteis; é essencialmente, carnívora e vive nas escarpadas das altas montanhas.
Tem porte grande, atingindo de asa a asa, até três metros de envergadura; possui possantes garras e bico adunco, e olhos muito aguçados, podendo ver a grandes distancias na busca de seu alimento. Pela sua valentia e por viver nas alturas, simboliza o espírito superior.
São João Evangelista foi cognominado de Águia de Patmos; Alfred Bossuet, de Águia de Meaux; Rui Barbosa, de Águia de Haia.
A Águia é empregada na Heráldica, nos escudos, nas condecorações, sendo as mais célebres a Águia branca, russa, e da Áustria. Napoleão a adotou em seus emblemas. Símbolo do Santo Império; a vemos no túmulo de Carlos Magno.
Em heráldica, pode ser “bicada”, “membrada”, “lampassada de esmalte”, “coroada”, “voante”, “bicéfala” etc.
Águia, também é uma constelação do hemisfério setentrional.
A Águia bicéfala, era o emblema de Frederico Primeiro da Prússia, que originou a Águia bicéfala do Grau 30, da Maçonaria Filosófica.
No Egito, na Pérsia e na Grécia a Águia foi dedicada ao Sol. Os romanos usavam esse símbolo para o seu exército. As Sagradas Escrituras fazem vinte e cinco referencias sobre a Águia e apenas, como curiosidade, transcrevemos Provérbios 30:19: “Há quatro coisas que não entendo: o caminho da Águia no céu; caminho da cobra na penha; e caminho do navio no meio do mar e o caminho do homem com uma donzela”.
A Águia é o símbolo do maçom que olha na luz astral e nela enxerga a sombra do passado, do presente e do que está por vir, tão facilmente, como a Águia olha o Sol. Maçônicamente é o símbolo do poder pela força, pela decisão, pela superioridade e a inteligência. Simboliza o Solstício de inverno; representa o poder, a liberdade e a sabedoria.
A Águia bicéfala, ou seja, com duas cabeças e um só corpo, é símbolo do poder imperial dúplice, como era o dos romanos, com o império do Oriente, ou Bizâncio e o do Ocidente, em Roma. Representava a Águia presente nos dois impérios, um à direita e outro à esquerda. Há emblemas cujas cabeças diferem na cor, sendo uma branca e outra negra, simbolizando o domínio sobre todas as raças.
A águia sempre é um símbolo de volatilização. Por exemplo, uma águia que devora um leão indica a volatilização de um componente fixo por um componente volátil. A águia também é o Hieróglifo do deus Hórus.