Com esse Blog objetivamos manter uma interação social agradável com os nossos seguidores a partir de publicações diversificadas e relevantes de fatos sociais ocorridos no cotidiano,e outros temas e assuntos de significado singular e plural, do mundo da vida, dos textos e dos contextos em que surgem e nos envolvem, dando sentido à vida, e ao que ela nos traz.
sábado, 5 de maio de 2012
UMA BELA REFLEXÃO
A Quem Ousar Amar
Amor... Alguns poetas dizem ser bicho traiçoeiro, causador das mais complexas, estranhas, doloridas e avassaladoras emoções. Certamente os historiadores dirão que por causa dele reinos foram invadidos, princesas foram seqüestradas, famílias de nobres e plebeus se misturaram ou foram divididas. Outros tantos, quem sabe mais desiludidos ou decepcionados, já alegam não existir o amor e usam a desculpa científica de classificá-lo apenas como um conjunto de combinações químicas e hormonais que evoluiu a fim de garantir a preservação da espécie humana e tentam se livrar desta euforia de amar a todo custo.
Seja como for, aos teimosos e corajosos que ousarem enfrentá-lo, e também a quem ainda tem medo ou dúvidas, tenho algumas considerações a fazer...
Já fui vítima tanto de amar de mais, como de amar de menos. Já fui pego de surpresa com medo de não ser amado e também de não estar amando. Já me frustrei, já chorei, já me arrependi... Já me precipitei e travei tantas vezes que nem sei contar. Já falei antes de pensar e já pensei sem falar... Entretanto já me alegrei e vi bichinhos, corações e o rosto da pessoa amada nas nuvens muitas outras vezes ao som de suspiros e canto de passarinhos imaginários.
Quem ousa amar tem de fazê-lo de peito aberto, sem reservas, assumindo o risco sim! Não ame querendo amor em troca! Apenas ame e se dedique no fazê-lo! Amor não é moeda ou investimento, não espere ser amado apenas porque você também ama. Vá amando, se entregando, se abrindo por completo. Quem ama por querer amor em troca, invariavelmente, acaba se frustrando muito, porque confunde amor com carência afetiva, o que definitivamente não é nada bom. Geralmente estas pessoas só conseguem perceber amor com atitudes e devoções iguais as suas próprias e não conseguem sentir o amor dito ou oferecido de uma forma diferente da sua.
Há quem diga que não devemos nos apaixonar que não se deve dizer “eu te amo!”, não se deve amar com o coração assim tão aberto, que deve se manter uma certa razão e distância segura para não correr o risco da vulnerabilidade, da exposição a um amor não correspondido ou ofendido. Eu discordo! Tal discurso só revela a infantilidade de não conseguir suportar um “não” ou o medo da dor, como aqueles adultos patéticos que ainda hoje têm medo de injeção.
Amor só é amor mesmo, quando vivido plena, apaixonada, verdadeira, confiante e libertadoramente; com aquela sensação inconfundível de eternidade de bem. Ele não precisa vir todo de uma só vez, mas pode ser cultivado, tratado, afagado, regado como uma plantinha. Pode começar de um sorriso, de um carinho, de um abraço e ir crescendo lentamente até virar encanto, admiração, poesia, beijo, saudade e aquela vontade irresistível de passar horas e horas com a pessoa amada mesmo que ela tenha outros motivos para viver ou coisas a fazer além de estar com você.
Ame, ame muito! Mas, ame com foco! A única responsabilidade que se deve ter ao amar com tanta intensidade é o compromisso com a verdade, a lealdade e a fidelidade. Procure identificar a diferença entre o amor companheiro e a simples aflição de tesão passageira. Esta é a única hora em que o coração deve obrigatoriamente dar lugar à razão. Quem ama, certamente se entorpece de desejos, sonhos e pensamentos ofegantes. Não é pecado, muito pelo contrário, faz bem, é saudável querer se entregar ao amor, mas ele se plenifica e ganha raízes profundas seguras na alma e se completa somente à medida que damos prioridade e exclusividade a quem se ama.
Aqueles que vivem de tesão e não de amor indubitavelmente tornar-se-ão pessoas amargas e enrijecidas, carcomidas de bichos por dentro e frígidas de alma no futuro. Poderão contabilizar até um grande número de conquistas, coitos, cafajestagens e admiração sexual, mas doloridas e machucadas por dentro de falta de amor genuíno, doado e compartilhado até as últimas conseqüências.
É muito fácil cometer este equívoco, a confusão pode começar de modo muito sutil, mas a fidelidade não é a falta de atração/tentação sexual por outra pessoa além daquela a quem amamos, mas sim a escolha madura, racional e objetiva de amar escolhendo até mesmo orientar nossos desejos mais íntimos em direção a quem amamos.
Não espere também que os amores do passado se repitam ou sejam encontrados e buscados nas novas relações, não permita fantasmas! Viva um amor de cada vez! Não tenha medo ou reservas em se dedicar com exclusividade.
Por outro lado, confie sempre! O coração prega muitas peças em quem tem medo de amar. Um gesto de amor do(a) companheiro(a) pode facilmente ser confundido com desamor ou desafeto. Antes de julgar, aprenda a depositar confiança mesmo que as aparências digam o contrário. O amor tende a se enfraquecer muito quando há desconfianças sejam elas fundadas ou infundadas.
Aos que já encontraram um grande amor, digo que é muito fácil perder a admiração e o ar de fantasia com o tempo... Aquele vulcão da conquista e das descobertas amorosas pode dar lugar a um lago tranqüilo e às vezes até monótono. Mas o amor é o caminho entre o vulcão e o lago mesmo, tanto faz em que direção você queira ir o importante é não parar de andar de mãos dadas. O príncipe às vezes pode virar um sapo e a cinderela voltar pra casa com uma abóbora ao invés da carruagem, mas vai depender do trabalho árduo e dedicado dos dois outrora intensos amantes manter a conquista e a reconquista diária da fantasia inicial, do vulcão e dos momentos de perder o fôlego. Há coisas muito interessantes tanto no vulcão como no lago, o gostoso não é estar lá ou aqui, o bom e prazeroso é o esforço correspondido para continuar a caminhar juntos. Em outras palavras, não se permita perder a capacidade de se surpreender com a pessoa amada mesmo nas coisas mais corriqueiras e normais!
Encontrar alguém que queira andar de mãos dadas com a gente e queira espontaneamente dar este mesmo amor sem medidas é um presente de Deus a ser valorizado e agradecido todos os dias.
Aos que ainda não encontraram... alguns conselhos: ame primeiro a você, cuide-se, enfeite-se, curta-se, valorize-se, encontre o prazer da auto-suficiência de não precisar de nada além de você mesmo para se sentir uma pessoa amável , aprenda a não ter medo de se amar e investir em projetos pessoais. Em segundo lugar, seja menos exigente com você e principalmente com quem se propõe a amá-lo(a), não existe amante perfeito, nem mesmo você conseguiria sê-lo. Então, não digo que você deva se conformar cegamente com o que conseguiu [ou não] até aqui, como se você não fosse capaz de encontrar algo melhor, mas não inicie sua procura buscando alguém ou um amor à sua altura, pode ser decepcionante. Para falar a verdade, nem procure! Deixe o amor surgir naturalmente! Por fim, não fique medindo ou comparando sensações, não avalie a importância de alguém na sua vida pela sensação que ela lhe causa, mas pelo bem que ela pode provocar. Resumindo... Apenas se abra sem medo ao amor. O resultado da descoberta só vem com o tempo. Sim! É um risco!
O Deus que criou o amor te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!
(Pablo Massolar)
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Relatório: Ação de Combate a Tuberculose
FAÇA O CATAVENTO GIRAR ESPALHANDO INFORMAÇÃO.
RELATORIO DE AÇÃO REALIZADA
O grupo ASQV- (Grupo de Amigos Na Luta Contra SIDA Pela Qualidade de Vida). Fez uma ação de Panfletagem de Folders Informativos sobre TUBERCULOS no dia 25 de Março de 2012. A atividade foi desenvolvida no horário das 09h00 as 12h00 da manhã, no COTEL (Centro de Observação e Triagem Everaldo Luna). A estratégia de acesso a esse local para fazer essa ação, constou de envio de um Oficio, elaborado por Miriam Fialho, com autorização de Wandilza França, atual coordenadora do grupo ASQV, para o Ilmo Sr, Gusmão que representa a saúde no sistema carcerário citado acima. Esse Ofício foi acolhido por essa coordenadoria e assim, a entrada do Sr, José Costa no sistema carcerário para a realização da ação foi concedida.
O material informativo sobre a Tuberculose usado nessa ocasião foi adquirido no PCT (Programa de Controle da Tuberculose) do Município do CABO de SANTO AGOSTINHO/PE, com a Sra. Roselane, coordenadora dessa área, visto que, até o dia da realização da atividade não havia sido disponibilizado panfletos no estado. Na busca de material após recorrermos ao PCT de Recife a ao Programa Estadual, recorremos a outros caminhos e a então tivemos o apoio de Sra. Roselane.
Fortalecendo a nossa atividade tivemos o apoio do Sr. Mario Miranda do ponto focal da RNP+/PE que por ser um ativista voluntário e também representar essa Rede no Comitê de Tb e ser ainda voluntário do Grupo ASQV não se esquivou em participar dessa ação. Vale salientar que recebemos todo apoio do Comitê Metropolitano de Combate a Tuberculose do estado de Pernambuco que doou as Camisetas para serem usadas no dia da Ação.
A quantidade foi de 700 folders alusivos a Tuberculose, como se pega, tratamento e cura.
Contatamos com uma média aproximada de 2000 mil pessoas, em sua grande maioria mulheres, que se encontram no local para visitar seus companheiros, maridos, irmãos, filhos, primos e outros.
A expectativa esperada para a realização da panfletagem foi bastante satisfatória. Ocupamos um local onde ficamos em uma área fechada, para facilitar o acesso à população alvo. Essa foi uma estratégia bem pensada, pois, nessa parte já havia uma boa aglomeração das mulheres, que era o quantitativo grande, superior ao dos homens que era a minoria para fazer as visitas. Portanto, a estratégia usada para se chegar junto desse público foi nos apresentar como educadores sociais da saúde, apresentar a Organização que estava sendo a promotora daquela ação e depois começar as perguntas:
• Você já ouviu falar na Tuberculose?
• Você sabe como se pega essa doença?
• Você sabe quais são os sintomas dessa doença?
• Você que sabe que essa doença tem cura?
• Você sabe onde buscar tratamento?
• Você conhece alguém que já teve essa doença?
Depois dessa parte da entrevista, entregamos os Panfletos e orientamos as pessoas para que lessem e divulgassem nos seus grupos de pertença, e ficassem atentos para ajudar alguém que eles vissem com aqueles sintomas. Ao longo dessa ação estabelecemos algumas conversas com pessoas que tinham parentes presos ali no COTEL, que estavam já com a doença mas havia uma queixa dos familiares referente aos cuidados da instituição com o tratamento dos seus parentes que estavam ali enfermados de Tuberculose.
O acesso as instalações internas do COTEL não nos foi permitido por ser um domingo e ter um acumulo de pessoas que não favoreciam a entrada de outros grupos ali; e ainda era dia de visita de casais e para se evitar algum transtorno para o bem estar dos que estavam ali em situação prisional. Mas, mesmo fazendo um contra ponto junto às referências institucionais acatamos as orientações das lideranças e nos ativemos apenas ao publico externo as instalações privadas.
No final da ação, agradecemos pela permissão da nossa estada em uma área já próxima aos internos, e encerramos nossa ação também fazendo panfletagem com os funcionários, os quais se mostraram sensibilizados em conhecer mais acerca do assunto. Percebemos que as pessoas nos paravam para obter mais informações alem das já especificadas nos folders distribuídos a eles, o que nos foi muito gratificante fazer dando outras explicações e esclarecendo algumas dúvidas, como: o meu marido ta tossindo, cansado, e outras coisas, o que devo fazer? Havia outras pessoas que queriam mais folders para distribuir dentro do sistema carcerário quando entrassem lá para fazer suas visitas.
Avaliamos a ação que realizada lá no COTEL como uma iniciativa muito forte, porque lidamos com um pessoal que estava carente e leigo sobre o assunto da Tuberculose e eram pessoas originárias de diversos municípios do nosso estado, inclusive havia muitas pessoas do grande Recife, também boa parte do interior do estado.
Recife, 13 de abril de 2012
Educador Social do Grupo ASQV
_________________________
José Costa Silva.
terça-feira, 10 de abril de 2012
NOTÍCIAS BOAS DA SAÚDE PÚBLICA EM TB
Novo método confirma diagnóstico de tuberculose em poucas horas
Jornal do Brasil - 09/04/2012
Cientistas anunciaram nesta segunda-feira ter desenvolvido uma técnica capaz de realizar o diagnóstico de tuberculose em apenas 1 hora e meia. Atualmente, o teste padrão é a chamada baciloscopia de escarro - capaz de detectar a presença no organismo do Bacilo de Koch, causa da doença. No entanto, há casos de resultados falso-negativo em pacientes que possuem sinais característicos da doença. Para estas pessoas, só a cultura da secreção, que leva algumas semanas para ficar pronta, é capaz de detectar a enfermidade com precisão.
A terapia contra a tuberculose consiste na administração de quatro antibióticos (etambutol, pirazinamida, isoniazida e rifamicina) durante um período de seis meses e deve ser iniciado assim que o médico, através de exames físicos e radiológicos, suspeite da doença. Isto faz com que indivíduos contaminados por bactérias resistentes a alguma das medicações não sejam tratados adequadamente, os colocando em perigo e aumentando as chances do desenvolvimento de microorganismos ainda mais fortes. O novo método, além da vantagem da velocidade, permite identificar a quais substâncias o bacilo é sensível.
"A tuberculose é uma das doenças infecciosas que mais mata e o diagnóstico precoce é essencial. As nossas conclusões permitirão que especialistas de todo o mundo tenham acesso às novas ferramentas e as implementem em seus hospitais e laboratórios", diz o pesquisador e co-autor do estudo Thomas Bodmer, da Universidade de Berna, na Suíça.
A tuberculose é uma doença infecto-contagiosa, que acomete cerca de 70 mil brasileiros todos os anos. Embora na maior parte das vezes atinja os pulmões, pode afetar outros órgãos, como os intestinos e os rins. Os sintomas mais comuns são tosse seca por mais de três semanas, falta de apetite, emagrecimento, fraqueza e febre na parte da tarde. Nos casos mais graves, provoca falta de ar, acúmulo de pus na pleura pulmonar eliminação de sangue em grande quantidade.
A transmissão ocorre por via aérea, através de gotículas expelidas na tosse ou na fala do doente. Para previnir a tuberculose, recomenda-se que as crianças recebam a vacina chamada de BCG, de preferência, logo após o nascimento. Deve-se ter atenção especial com a alimentação e evitar o consumo de bebidas alcoólicas e o uso de drogas pois estes são fatores facilitadores da infecção.
Pacientes com diabetes, HIV e que façam uso de medicamentos imunossupressores devem estar sob vigilância. O tratamento padrão da tuberculose consiste na administração de uso de três antibióticos durante um período de seis meses e é eficaz em 100% dos casos. No Brasil, são quatro as medicações utilizadas. Para facilitar a terapia, todas as substâncias são ministradas em um mesmo comprimido.
_____________________________________________________________
Observação:essa matéria foi enviada para o nosso e-mail usando o recurso
Mensagem encaminhada - repassando - por:
De: antonio ernandes marques da costa
Data: 9 de abril de 2012 21:21
Assunto: [rede-matb_brasil] Enc: Novo método confirma diagnóstico de tuberculose em poucas horas
Para: REDE TB COMITE GESTOR, TB & A Brasil REDE , FORUM VIRTUAL COMITTB/NORTE
Cc: "ongdonortebrasil@yahoogrupos.com.br"
Jornal do Brasil - 09/04/2012
Cientistas anunciaram nesta segunda-feira ter desenvolvido uma técnica capaz de realizar o diagnóstico de tuberculose em apenas 1 hora e meia. Atualmente, o teste padrão é a chamada baciloscopia de escarro - capaz de detectar a presença no organismo do Bacilo de Koch, causa da doença. No entanto, há casos de resultados falso-negativo em pacientes que possuem sinais característicos da doença. Para estas pessoas, só a cultura da secreção, que leva algumas semanas para ficar pronta, é capaz de detectar a enfermidade com precisão.
A terapia contra a tuberculose consiste na administração de quatro antibióticos (etambutol, pirazinamida, isoniazida e rifamicina) durante um período de seis meses e deve ser iniciado assim que o médico, através de exames físicos e radiológicos, suspeite da doença. Isto faz com que indivíduos contaminados por bactérias resistentes a alguma das medicações não sejam tratados adequadamente, os colocando em perigo e aumentando as chances do desenvolvimento de microorganismos ainda mais fortes. O novo método, além da vantagem da velocidade, permite identificar a quais substâncias o bacilo é sensível.
"A tuberculose é uma das doenças infecciosas que mais mata e o diagnóstico precoce é essencial. As nossas conclusões permitirão que especialistas de todo o mundo tenham acesso às novas ferramentas e as implementem em seus hospitais e laboratórios", diz o pesquisador e co-autor do estudo Thomas Bodmer, da Universidade de Berna, na Suíça.
A tuberculose é uma doença infecto-contagiosa, que acomete cerca de 70 mil brasileiros todos os anos. Embora na maior parte das vezes atinja os pulmões, pode afetar outros órgãos, como os intestinos e os rins. Os sintomas mais comuns são tosse seca por mais de três semanas, falta de apetite, emagrecimento, fraqueza e febre na parte da tarde. Nos casos mais graves, provoca falta de ar, acúmulo de pus na pleura pulmonar eliminação de sangue em grande quantidade.
A transmissão ocorre por via aérea, através de gotículas expelidas na tosse ou na fala do doente. Para previnir a tuberculose, recomenda-se que as crianças recebam a vacina chamada de BCG, de preferência, logo após o nascimento. Deve-se ter atenção especial com a alimentação e evitar o consumo de bebidas alcoólicas e o uso de drogas pois estes são fatores facilitadores da infecção.
Pacientes com diabetes, HIV e que façam uso de medicamentos imunossupressores devem estar sob vigilância. O tratamento padrão da tuberculose consiste na administração de uso de três antibióticos durante um período de seis meses e é eficaz em 100% dos casos. No Brasil, são quatro as medicações utilizadas. Para facilitar a terapia, todas as substâncias são ministradas em um mesmo comprimido.
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Observação:essa matéria foi enviada para o nosso e-mail usando o recurso
Mensagem encaminhada - repassando - por:
De: antonio ernandes marques da costa
Data: 9 de abril de 2012 21:21
Assunto: [rede-matb_brasil] Enc: Novo método confirma diagnóstico de tuberculose em poucas horas
Para: REDE TB COMITE GESTOR
Cc: "ongdonortebrasil@yahoogrupos.com.br"
sexta-feira, 30 de março de 2012
AFETIVIDADE
PRÍNCIPE E RAPOSA: UM DIÁLOGO INESQUECIVEL
Este é um dos textos mais apaixonante e sensível que eu já vi em toda a minha vida. A conversa da Raposa com o Pequeno Príncipe nesse relato do Saint Exupéry é uma verdadeira apologia ao que se pode instaurar como o começo de uma amizade verdadeira e perene. O pequeno Príncipe, vindo de outra galáxia e totalmente surpreendido e abismado com a cultura da vida no planeta terra, a partir de cada identidade que ele foi encontrando ao longo da sua inserção no planeta terra, e ainda surpreso com uma flor linda, porém caprichosa e vaidosa, como era a rosa que ele conheceu e cultivou, chega à terra e se depara não apenas com uma espécie, mais um verdadeiro jardim só delas, todas as espécies e cores diferentes, ai ele se sente enganado, decepcionado com aquela flor mentirosa que para ele era a única e que agora lhe aparecia em profusão naquele lugar tão árido e inóspito como estava lhe parecendo o planeta terra. Na busca de alguém para lhe explicar o que estava acontecendo com ele, com a sua rosa e com tantas outras incoerências humanas que ele estava vendo, termina por se encontra com um animal selvagem, que se alimentava de outros animais domesticados e estabelece um diálogo, inusitado, tratando do ato de se cativar alguém para se ter uma amizade sincera, duradoura e verdadeira. A Raposa, por ser um animal nada considerado pelos homens, seres racionais, até porque ela se alimenta da criação desses: as galinhas, mas que por esse desafeto ele se sente profundamente solitária joga sobre o Pequeno Príncipe toda a sua desilusão e decepção com aqueles homens que só a tratam mal a deixando em verdadeiro abandono, e Ela se lança nesse diálogo, estabelecendo uma comunhão de grande sensibilidade, afetividade e carinho com aquele ser extraterrestre, e fica definitivamente cativada por ele.
Eis a conversa:
RAPOSA
Bom dia!
Pequeno Príncipe
Bom dia!
RAPOSA
Eu estou aqui.
P. P.
Quem és tu? Tu és bem bonita...
RAPOSA
Sou uma raposa.
P. P.
Vem brincar comigo. Estou tão triste...
RAPOSA
Eu não posso brincar contigo. Não me cativaram ainda.
P. P.
Ah! Desculpa. Que quer dizer "cativar"?
RAPOSA
Tu não és daqui. Que procuras?
P. P.
Procuro os homens. Que quer dizer "cativar"?
RAPOSA
Os homens têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que eles fazem. Tu procuras galinhas?
P. P.
Não. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
RAPOSA
É uma coisa muito esquecida. Significa "criar laços".
P. P.
Criar laços?
RAPOSA
Exatamente. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
P. P.
Começo a compreender. Existe uma flor... Eu creio que ela me cativou...
RAPOSA
É possível. Vê-se tanta coisa na Terra...
P. P.
Oh! Não foi na Terra.
RAPOSA
(Intrigada) Num outro planeta?
P. P.
Sim.
RAPOSA
Há caçadores neste planeta?
P. P.
Não.
RAPOSA
Que bom! E galinhas?
P. P.
Também não.
RAPOSA
Nada é perfeito. Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram de coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo... Por favor... Cativa-me!
P. P.
Bem quisera, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
RAPOSA
A gente só conhece bem as coisas que cativou. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
P. P.
Que é preciso fazer?
RAPOSA
É preciso ser paciente. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto... Será melhor voltares à mesma hora. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ficar feliz. Quanto à hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.
P. P.
Que é um rito?
RAPOSA
É uma coisa muito esquecida também. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas.
P. P.
Agora eu vou embora.
RAPOSA
Ah! Eu vou chorar.
P. P.
A culpa é tua. Eu não te queria fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
RAPOSA
Quis.
P. P.
Mas tu vais chorar!
RAPOSA
Vou.
P. P.
Então, não sais lucrando nada!
RAPOSA
Eu lucro, por causa da cor do trigo. Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo. O príncipe vai até as rosas
P. P.
Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela é agora única no mundo. (As rosas ficam desapontadas) Sois belas, mas vazias. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o para-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa. O príncipe volta à raposa e diz: Adeus.
RAPOSA
Adeus. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
P. P.
O essencial é invisível para os olhos... Só vemos bem com o coração!
RAPOSA
Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que fez a tua rosa tão importante.
P. P.
Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa...
RAPOSA
Os homens esquecem essa verdade. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
P. P.
Eu sou responsável pela minha rosa...
Sendo profundamente enriquecido nesse diálogo o Príncipe prossegue na sua jornada de conhecer mais o planeta terra, e deixa a Raposa sozinha, mas não é a mesma Raposa que fica ali. Ela agora é um ser cativado, que se apaixonou por um amigo muito especial, a quem ela pôde ser útil, definindo conceitos acerca das relações sociais entre os sujeitos e do significado de se saber ser mais com outros, mesmo quando existem tantas diferenças entre os seres.
Bibliografia:
Este é um dos textos mais apaixonante e sensível que eu já vi em toda a minha vida. A conversa da Raposa com o Pequeno Príncipe nesse relato do Saint Exupéry é uma verdadeira apologia ao que se pode instaurar como o começo de uma amizade verdadeira e perene. O pequeno Príncipe, vindo de outra galáxia e totalmente surpreendido e abismado com a cultura da vida no planeta terra, a partir de cada identidade que ele foi encontrando ao longo da sua inserção no planeta terra, e ainda surpreso com uma flor linda, porém caprichosa e vaidosa, como era a rosa que ele conheceu e cultivou, chega à terra e se depara não apenas com uma espécie, mais um verdadeiro jardim só delas, todas as espécies e cores diferentes, ai ele se sente enganado, decepcionado com aquela flor mentirosa que para ele era a única e que agora lhe aparecia em profusão naquele lugar tão árido e inóspito como estava lhe parecendo o planeta terra. Na busca de alguém para lhe explicar o que estava acontecendo com ele, com a sua rosa e com tantas outras incoerências humanas que ele estava vendo, termina por se encontra com um animal selvagem, que se alimentava de outros animais domesticados e estabelece um diálogo, inusitado, tratando do ato de se cativar alguém para se ter uma amizade sincera, duradoura e verdadeira. A Raposa, por ser um animal nada considerado pelos homens, seres racionais, até porque ela se alimenta da criação desses: as galinhas, mas que por esse desafeto ele se sente profundamente solitária joga sobre o Pequeno Príncipe toda a sua desilusão e decepção com aqueles homens que só a tratam mal a deixando em verdadeiro abandono, e Ela se lança nesse diálogo, estabelecendo uma comunhão de grande sensibilidade, afetividade e carinho com aquele ser extraterrestre, e fica definitivamente cativada por ele.
Eis a conversa:
RAPOSA
Bom dia!
Pequeno Príncipe
Bom dia!
RAPOSA
Eu estou aqui.
P. P.
Quem és tu? Tu és bem bonita...
RAPOSA
Sou uma raposa.
P. P.
Vem brincar comigo. Estou tão triste...
RAPOSA
Eu não posso brincar contigo. Não me cativaram ainda.
P. P.
Ah! Desculpa. Que quer dizer "cativar"?
RAPOSA
Tu não és daqui. Que procuras?
P. P.
Procuro os homens. Que quer dizer "cativar"?
RAPOSA
Os homens têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que eles fazem. Tu procuras galinhas?
P. P.
Não. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
RAPOSA
É uma coisa muito esquecida. Significa "criar laços".
P. P.
Criar laços?
RAPOSA
Exatamente. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
P. P.
Começo a compreender. Existe uma flor... Eu creio que ela me cativou...
RAPOSA
É possível. Vê-se tanta coisa na Terra...
P. P.
Oh! Não foi na Terra.
RAPOSA
(Intrigada) Num outro planeta?
P. P.
Sim.
RAPOSA
Há caçadores neste planeta?
P. P.
Não.
RAPOSA
Que bom! E galinhas?
P. P.
Também não.
RAPOSA
Nada é perfeito. Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram de coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo... Por favor... Cativa-me!
P. P.
Bem quisera, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
RAPOSA
A gente só conhece bem as coisas que cativou. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
P. P.
Que é preciso fazer?
RAPOSA
É preciso ser paciente. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto... Será melhor voltares à mesma hora. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ficar feliz. Quanto à hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.
P. P.
Que é um rito?
RAPOSA
É uma coisa muito esquecida também. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas.
P. P.
Agora eu vou embora.
RAPOSA
Ah! Eu vou chorar.
P. P.
A culpa é tua. Eu não te queria fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
RAPOSA
Quis.
P. P.
Mas tu vais chorar!
RAPOSA
Vou.
P. P.
Então, não sais lucrando nada!
RAPOSA
Eu lucro, por causa da cor do trigo. Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo. O príncipe vai até as rosas
P. P.
Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela é agora única no mundo. (As rosas ficam desapontadas) Sois belas, mas vazias. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o para-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa. O príncipe volta à raposa e diz: Adeus.
RAPOSA
Adeus. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
P. P.
O essencial é invisível para os olhos... Só vemos bem com o coração!
RAPOSA
Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que fez a tua rosa tão importante.
P. P.
Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa...
RAPOSA
Os homens esquecem essa verdade. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
P. P.
Eu sou responsável pela minha rosa...
Sendo profundamente enriquecido nesse diálogo o Príncipe prossegue na sua jornada de conhecer mais o planeta terra, e deixa a Raposa sozinha, mas não é a mesma Raposa que fica ali. Ela agora é um ser cativado, que se apaixonou por um amigo muito especial, a quem ela pôde ser útil, definindo conceitos acerca das relações sociais entre os sujeitos e do significado de se saber ser mais com outros, mesmo quando existem tantas diferenças entre os seres.
Bibliografia:
sexta-feira, 16 de março de 2012
Os Ombros Suportam o Mundo
Os ombros suportam o mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Carlos Drummond de Andrade
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Carlos Drummond de Andrade
segunda-feira, 12 de março de 2012
Mais um Belo Poema
Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto
Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.
Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes
Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas,
Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.
Grandes são os desertos, minha alma!
Grandes são os desertos.
Não tirei bilhete para a vida,
Errei a porta do sentimento,
Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse.
Hoje não me resta, em vésperas de viagem,
Com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem,
Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado)
Senão saber isto:
Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida,
Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem)
Acendo o cigarro para adiar a viagem,
Para adiar todas as viagens.
Para adiar o universo inteiro.
Volta amanhã, realidade!
Basta por hoje, gentes!
Adia-te, presente absoluto!
Mais vale não ser que ser assim.
Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro,
E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito.
Mas tenho que arrumar mala,
Tenho por força que arrumar a mala,
A mala.
Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão.
Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala.
Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre o canto das camisas empilhadas,
A ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, destino.
Tenho que arrumar a mala de ser.
Tenho que existir a arrumar malas.
A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte.
Olho para o lado, verifico que estou a dormir.
Sei só que tenho que arrumar a mala,
E que os desertos são grandes e tudo é deserto,
E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci.
Ergo-me de repente todos os Césares.
Vou definitivamente arrumar a mala.
Arre, hei de arrumá-la e fechá-la;
Hei de vê-la levar de aqui,
Hei de existir independentemente dela.
Grandes são os desertos e tudo é deserto,
Salvo erro, naturalmente.
Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado!
Mais vale arrumar a mala.
Fernando Pessoa
Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto
Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.
Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes
Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas,
Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.
Grandes são os desertos, minha alma!
Grandes são os desertos.
Não tirei bilhete para a vida,
Errei a porta do sentimento,
Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse.
Hoje não me resta, em vésperas de viagem,
Com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem,
Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado)
Senão saber isto:
Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida,
Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem)
Acendo o cigarro para adiar a viagem,
Para adiar todas as viagens.
Para adiar o universo inteiro.
Volta amanhã, realidade!
Basta por hoje, gentes!
Adia-te, presente absoluto!
Mais vale não ser que ser assim.
Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro,
E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito.
Mas tenho que arrumar mala,
Tenho por força que arrumar a mala,
A mala.
Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão.
Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala.
Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre o canto das camisas empilhadas,
A ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, destino.
Tenho que arrumar a mala de ser.
Tenho que existir a arrumar malas.
A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte.
Olho para o lado, verifico que estou a dormir.
Sei só que tenho que arrumar a mala,
E que os desertos são grandes e tudo é deserto,
E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci.
Ergo-me de repente todos os Césares.
Vou definitivamente arrumar a mala.
Arre, hei de arrumá-la e fechá-la;
Hei de vê-la levar de aqui,
Hei de existir independentemente dela.
Grandes são os desertos e tudo é deserto,
Salvo erro, naturalmente.
Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado!
Mais vale arrumar a mala.
Fernando Pessoa
quarta-feira, 7 de março de 2012
Amor, Símbolo da Perfeição?

“A QUEM OUSA AMAR”
“Amor... Alguns poetas dizem ser bicho traiçoeiro, causador das mais complexas, estranhas, doloridas e avassaladoras emoções. Certamente os historiadores dirão que por causa dele reinos foram invadidos, princesas foram seqüestradas, famílias de nobres e plebeus se misturaram ou foram divididas. Outros tantos, quem sabe mais desiludidos ou decepcionados, já alegam não existir o amor e usam a desculpa científica de classificá-lo apenas como um conjunto de combinações químicas e hormonais que evoluiu a fim de garantir [ou atrapalhar] a preservação da espécie humana e tentam se livrar desta euforia de amar a todo custo.
Seja como for, aos teimosos e corajosos que ousarem enfrentá-lo, e também a quem ainda tem medo ou dúvidas, tenho algumas considerações a fazer...
Já fui vítima tanto de amar de mais, como de amar de menos. Já fui pego de surpresa com medo de não ser amado e também de não estar amando. Já me frustrei, já chorei já me arrependi... Já me precipitei e travei tantas vezes que nem sei contar. Já falei antes de pensar e já pensei sem falar... Entretanto já me alegrei e vi bichinhos, corações e o rosto da pessoa amada nas nuvens muitas outras vezes ao som de suspiros e canto de passarinhos imaginários.
Quem ousa amar tem de fazê-lo de peito aberto, sem reservas, assumindo o risco sim! Não ame querendo amor em troca! Apenas ame e se dedique no fazê-lo! Amor não é moeda ou investimento, não espere ser amado apenas porque você também ama. Vá amando, se entregando, se abrindo por completo. Quem ama por querer amor em troca, invariavelmente, acaba se frustrando muito, porque confunde amor com carência afetiva, o que definitivamente não é nada bom. Geralmente estas pessoas só conseguem perceber amor com atitudes e devoções iguais as suas próprias e não conseguem sentir o amor dito ou oferecido de uma forma diferente da sua.
Há quem diga que não devemos nos apaixonar que não se deve dizer “eu te amo!”, não se deve amar com o coração assim tão aberto, que deve se mantiver certa razão e distância segura para não correr o risco da vulnerabilidade, da exposição a um amor não correspondido ou ofendido. Eu discordo! Tal discurso só revela a infantilidade de não conseguir suportar um “não” ou o medo da dor, como aqueles adultos patéticos que ainda hoje têm medo de injeção.
Amor só é amor mesmo, quando vivido plena, apaixonado, verdadeiro, confiante e libertadoramente; com aquela sensação inconfundível de eternidade de bem. Ele não precisa vir todo de uma só vez, mas pode ser cultivado, tratado, afagado, regado como uma plantinha. Pode começar de um sorriso, de um carinho, de um abraço e ir crescendo lentamente até virar encanto, admiração, poesia, beijo, saudade e aquela vontade irresistível de passar horas e horas com a pessoa amada mesmo que ela tenha outros motivos para viver ou coisas a fazer além de estar com você.
Ame, ame muito! Mas, ame com foco! A única responsabilidade que se deve ter ao amar com tanta intensidade é o compromisso com a verdade, a lealdade e a fidelidade. Procure identificar a diferença entre o amor companheiro e a simples aflição de tesão passageira. Esta é a única hora em que o coração deve obrigatoriamente dar lugar à razão. Quem ama certamente se entorpecem de desejos, sonhos e pensamentos ofegantes. Não é pecado, muito pelo contrário, faz bem, é saudável querer se entregar ao amor, mas ele se plenifica e ganha raízes profundas seguras na alma e se completa somente à medida que damos prioridade e exclusividade a quem se ama.
Aqueles que vivem de tesão e não de amor indubitavelmente tornar-se-ão pessoas amargas e enrijecidas, carcomidas de bichos por dentro e frígidas de alma no futuro. Poderão contabilizar até um grande número de conquistas, coitos, cafajestagens e admiração sexual, mas doloridas e machucadas por dentro de falta de amor genuíno, doado e compartilhado até as últimas conseqüências.
É muito fácil cometer este equívoco, a confusão pode começar de modo muito sutil, mas a fidelidade não é a falta de atração/tentação sexual por outra pessoa além daquela a quem amamos, mas sim a escolha madura, racional e objetiva de amar escolhendo até mesmo orientar nossos desejos mais íntimos em direção a quem amamos.
Não espere também que os amores do passado se repitam, ou seja, encontrados e buscados nas novas relações, não permita fantasmas! Viva um amor de cada vez! Não tenha medo ou reservas em se dedicar com exclusividade.
Por outro lado, confie sempre! O coração prega muitas peças em quem tem medo de amar. Um gesto de amor do(a) companheiro(a) pode facilmente ser confundido com desamor ou desafeto. Antes de julgar, aprenda a depositar confiança mesmo que as aparências digam o contrário. O amor tende a se enfraquecer muito quando há desconfianças sejam elas fundadas ou infundadas.
Aos que já encontraram um grande amor, digo que é muito fácil perder a admiração e o ar de fantasia com o tempo... Aquele vulcão da conquista e das descobertas amorosas pode dar lugar a um lago tranqüilo e às vezes até monótono. Mas o amor é o caminho entre o vulcão e o lago mesmo, tanto faz em que direção você queira ir o importante é não parar de andar de mãos dadas. O príncipe às vezes pode virar um sapo e a cinderela voltar pra casa com uma abóbora ao invés da carruagem, mas vão depender do trabalho árduo e dedicado dos dois outrora intensos amantes a conquista e a reconquista diária da fantasia inicial, do vulcão e dos momentos de perder o fôlego. Há coisas muito interessantes tanto no vulcão como no lago, o gostoso não é estar lá ou aqui, o bom e prazeroso é o esforço correspondido para continuar a caminhar juntos. Em outras palavras, não se permita perder a capacidade de se surpreender com a pessoa amada mesmo nas coisas mais corriqueiras e normais!
Encontrar alguém que queira andar de mãos dadas com a gente e queira espontaneamente dar este mesmo amor sem medidas é um presente de Deus a ser valorizado e agradecido todos os dias.
Aos que ainda não encontraram... Alguns conselhos: ame primeiro a você, cuide-se, enfeite-se, curta-se, valorize-se, encontre o prazer da autossuficiência de não precisar de nada além de você mesmo para se sentir uma pessoa amável [com capacidade de ser amada], aprenda a não ter medo de se amar e investir em projetos pessoais. Em segundo lugar, seja menos exigente com você e principalmente com quem se propõe a amá-lo (a), não existe amante perfeito, nem mesmo você conseguiria sê-lo. Então, não digo que você deva se conformar cegamente com o que conseguiu [ou não] até aqui, como se você não fosse capaz de encontrar algo melhor, mas não inicie sua procura buscando alguém ou um amor à sua altura, pode ser decepcionante. Para falar a verdade, nem procure! Deixe o amor surgir naturalmente! Por fim, não fique medindo ou comparando sensações, não avalie a importância de alguém na sua vida pela sensação que ela lhe causa, mas pelo bem que ela pode provocar. Resumindo... Apenas se abra sem medo ao amor. O resultado da descoberta só vem com o tempo. Sim! É um risco!”
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Desconheço a Autoria dessa bela Reflexão.
Mas, estou postando-a aqui porque nesses últimos dias estou sensiblizida, muito mexida mesmo, por acontecimentos dolorosos que vieram a interromper a vida de pessoas lindas, a quem eu amei e amarei para sempre aqui em meu estado.
MIRIAM FIALHO
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