quarta-feira, 27 de março de 2013

CARTA ABERTA




CARTA ABERTA AOS GESTORES SOBRE AVALIAÇÃO DA ANAIDS DA RESPOSTA BRASILEIRO AO HIV/AIDS
MARÇO DE 2013

A Articulação Nacional de Luta contra a AIDS (ANAIDS), colegiado que reúne os fóruns estaduais e as representações do movimento de luta contra a AIDS no Brasil, reunidos em Fortaleza (CE), após avaliar a resposta brasileira ao HIV/AIDS, vem a público divulgar a seguinte carta aos gestores da saúde pública nos níveis Federal, Estaduais e Municipais.

- Existe uma crise no enfrentamento da epidemia de AIDS no Brasil, que piora a cada dia, ficando evidente que a questão saiu da pauta de prioridades governamentais, infelizmente num momento em que se pauperiza e atinge com mais velocidade populações vulneráveis.

- As ações de assistência estão insatisfatórias, há clara falta de profissionais de saúde o que se reflete no atendimento tardio das consultas e na impossibilidade de atendimento de casos novos. Da mesma forma, não se encontram soluções para quem tem necessidade de cirurgias reparadoras.

- As ações de prevenção se mantêm estacionadas em realidades ultrapassadas, há urgência de se repensar novas práticas e estratégias como a efetiva implementação de novas tecnologias como a PEP (profilaxia pós-exposição sexual) que não tem acontecido, bem como mais discussão sobre a PrEP (profilaxia pré exposição). Também a carência de insumos de prevenção, sobretudo o destinado à população feminina, é uma difícil realidade em vários estados, como também o comprometimento de estados e municípios na aquisição destes insumos. Há necessidade de repensar a logística de distribuição a partir da esfera federal até municipal.

- Se faz urgente um engajamento dos dirigentes locais no apoio a ampliação da oferta de testagens, mas também no aumento da capacidade de atender a demandas daí oriundas de forma satisfatória, não se pode aceitar a realidade de assistência tardia o que temos verificado cotidianamente.

- A plena implementação da resolução 462/12 do CNS e o engajamento do Departamento Nacional de DST/AIDS e HV neste debate (ao contrário do que tem acontecido), neste debate é fundamental para a garantia de continuidade destas ações acima citadas.

- É preciso retomar o debate que ficou adormecido junto a Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, bem como seus desdobramentos sobre o financiamento das ações da Sociedade Civil diante da diminuição de financiadores e da demanda que continua crescente, aja visto que já foram feitas varias discussões e nenhum resultado até o momento apresentado, e com isso enfraquecendo o trabalho do controle social.

- O debate sobre financiamento as ações de HIV/AIDS no Brasil deve ser levado para o Congresso Nacional, a fim de se garantir a ampliação necessária e o comprometimento estatal a esta realidade.

- A falta de implementação de um número maior de pesquisas, que descortinem a realidade atual da epidemia e que apontem caminhos de enfrentamento é uma urgência, a fim de entendermos o alcance e os reflexos da AIDS em nosso país, como por exemplo, a qualidade de atendimento nos serviços especializados.

Por fim os ativistas reunidos, representantes de mais de 500 organizações não governamentais e movimentos sociais nos 27 estados, avaliam que a atual gestão federal tem deixado muito a desejar em termos de comprometimento, respostas efetivas, perspectivas inovadoras e, principalmente, diálogo efetivo com a sociedade civil. Tal realidade se reflete em muitas administrações Estaduais e os Municipais onde as amarras administrativas, o preconceito e a indiferença têm aumentado e gerado mais exclusões e mortes prematuras.

Atentos a esta realidade não cansaremos de denunciar os descasos e de nos mobilizar na luta pela implantação de um SUS de qualidade e voltado para as realidades vividas pelas pessoas que vivem e convivem com HIV/AIDS.

Fortaleza, 07 de Março de 2013.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

DOCUMENTO À CÂMARA DOS VEREADORES DO RECIFE








1º de dezembro – Dia Mundial de Luta contra AIDS
Vamos precisar de todo mundo

Recife, 03 de dezembro de 2012.

A Câmara de Vereadores da Cidade do Recife
Att do Vereador Jurandir Liberal

Articulação AIDS em Pernambuco fundada no segundo semestre de 1996 em Recife, é um fórum de articulação política do movimento de luta contra a AIDS que congrega Organizações da Sociedade Civil, Redes, Movimentos e Ativistas Independentes que atuam no campo da luta contra a AIDS no Estado, sem distinções religiosas, raciais, étnico-raciais, ideológicas, de gênero, de classe social, de orientação sexual, de faixa etária, partidárias ou sorológicas.

Em Pernambuco, temos o total de 17.459 casos de AIDS, sendo11. 219 homens e 5.736 mulheres. Na capital pernambucana temos 7.244 pessoas vivendo com AIDS. 
Reconhecemos os grandes avanços para superação da epidemia de AIDS que os governos têm investido, principalmente nas ações referentes à garantia do acesso aos medicamentos, as novas tecnologias e métodos que buscam agilizar o diagnóstico e o tratamento. Contudo, esse mesmo movimento que visualiza essas ações governamentais, tem identificado em todo o território nacional que as mesmas são incipientes para o enfrentamento a epidemia da AIDS, principalmente quando articulada a tuberculose e Hepatites Virais.

Apontamos também como problemática: a assistência, como acolhimento em casas de apoio; insuficiência e ou a inexistência dos serviços para cirurgias reparadoras nos caso Lipodistrofia e Lipoatrofia; investimento insuficiente no sentido de ampliar a capacidade instalada, habilidade e competência para produção  de  antirretrovirais e dos princípios ativos e, aplicar as leis, caso haja violação desses direitos, além do pouco investimento político e orçamentário para efetivação dos Planos de Enfrentamento a Feminização da AIDS, entre Gays/HSH/Travestis. Neste momento, atualizamos o contexto da epidemia de AIDS em Recife, ressaltando as principais problemáticas:

·         Em relação a assistência, destacamos a ausência de casa de apoio. Enfrentamos a ausência de uma política que amplie e fortaleça as casas de apoio para a população vivendo com HIV/AIDS em situação de rua, além de pautar a necessidade de inclusão das mesmas na política pública de habitação municipal.
·         A Articulação AIDS em Pernambuco vem, ao longo dos anos, construindo incidência para pautar diálogo e articulações com os espaços de controle social e gestão. Durante todo esse processo, avaliamos que a casa abrigo não pode ser compreendida como acesso a moradia para as pessoas soropositivas para o HIV/AIDS. Tirar as pessoas da rua é uma ação emergencial que precisa está articulada a uma política estrutural. Sendo assim, na política de entrega de unidades habitacionais  deve-se priorizar as pessoas em situação de vulnerabilidade e risco social, incluindo as pessoas vivendo com HIV/AIDS.
·         Iniciativas como a criação Plana de Enfrentamento da Epidemia de DST/AIDS entre Gays, HSH e Travestis e Plano Estadual de Enfrentamento a Feminização da Epidemia de AIDS foram fortemente apoiados pelos movimentos sociais, consta como prioridade nas pautas governo municipal, estadual, no entanto os recursos necessários a sua execução, mas continuam sem dotação orçamentária especifica para implementação das ações planejadas. Os referidos Planos necessitam de compromisso político para sua efetivação, sendo necessário financiamento para o desenvolvimento das ações, bem como comprometimento das secretarias envolvidas nos processos. Também é se faz necessário garantir a resposta intersetorial, além do fortalecimento do diálogo com os movimentos sociais, respeitando seus papéis políticos diferenciados na sociedade.
·         A epidemia da AIDS atinge principalmente as pessoas em situação de vulnerabilidade social. As mesmas precisam realizar regularmente consultas e exames, buscar medicamentos, entre outras necessidades que fazem parte de seu tratamento. Grandes partes dessas pessoas residentes nos bairros do Recife não dispõem de recursos para o seu transporte e/ou para seus acompanhantes. A Articulação AIDS em Pernambuco coloca em sua pauta de reivindicação a importância de instituir, mediante Lei de iniciativa do executivo, o benefício do Passe Livre para Pessoas Vivendo com HIV/AIDS. Porém, é importante ressaltar que para se instituir a referida lei, é necessário um diálogo com o movimento social no sentido que este possa contribuir com os mecanismos para que, mesmo sem intenção e/ou propósito, a discriminação e o estigma das pessoas vivendo com HIVAIDS não seja reforçado;
·         A epidemia do HIV/AIDS atravessa todas as geracionalidades, percebemos que crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos vivenciam a soropositividade para o HIV de formas distintas e com necessidades diferenciadas. Porém a geracionalidade na maioria das vezes serve apenas para indicar número, mas não há um aprofundamento qualitativo de reflexões e ações que respondam as vulnerabilidades e vivencia da soropositividade para o HIV e a AIDS. A Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/AIDS- Núcleo Pernambuco evidencia a necessidade da formulação de plano de políticas para o enfrentamento da epidemia do HIV/AIDS entre adolescentes e jovens, principalmente para fortalecer a cidadania desta população que tem sofrido com a discriminação que favorece o afastamento deste público da escola, do lazer, da inserção do mercado de trabalho, enfim da vida social e cultural.
·         Evidenciamos nosso descontentamento pelo abandono do Programa Saúde Prevenção nas Escolas/SPE que para nós é de grande importância. Através dele temos um diálogo com os núcleos escolares no que diz respeito a formação e sensibilização para abordagem temática sobre HIV/AIDS;
·          Os movimentos sociais enfrentam crise de sustentabilidade, que prejudica sua atuação política. Tendo estes sujeitos político colaborado para o fortalecimento da democracia na sociedade pernambucana, fortalecido a gestão a partir da contribuição com a formação de seus funcionários e quadros políticos, influenciado as políticas publicas no sentido da inclusão dos diversos grupos sociais. Neste sentido, se faz necessário que o governo estadual reconheça e fortaleça os movimentos sociais, entre eles a Articulação AIDS em Pernambuco e a Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS de Pernambuco, respeitando sua independência. Sendo assim, defendemos Implantação de um fundo público para financiamento das ações do movimento de luta contra AIDS.
·         Os movimentos sociais e as organizações da sociedade civil foram e são sujeitos políticos importantes na construção e fortalecimento da democracia em Pernambuco. Sendo assim, é importante instalar diálogo com a Articulação AIDS em Pernambuco, com a Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e AIDS – Núcleo Pernambuco, com a Rede Nacional de Adolescentes e de Jovens Vivendo com HIV/AIDS – Núcleo Pernambuco tendo estes movimentos 02 (duas) audiências por ano, diretamente com o poder executivo e legislativo estabelecendo um canal de comunicação política.



Diante de tal contexto a Articulação AIDS em Pernambuco solicita ao Vereador Jurandir Liberal recomendação para a criação de uma Frente Parlamentar de Enfrentamento a Epidemia da AIDS, Tuberculose e Hepatites Virais na cidade do Recife em 2013, por acreditar ser este um mecanismo que articula o poder Legislativo, o Executivo para que possam dialogar avaliar, propor e, implementar  política pública que articule assistência e prevenção, além de fortalecer os planos de enfrentamento da epidemia entre as mulheres, homens e população LGBT. Compreendemos a Câmara dos Vereadores do Recife é a casa do debate, é a casa do diálogo, da representação dos anseios de cidadãs e cidadãos, sendo assim a criação de uma Frente Parlamentar para enfrentar a epidemia da AIDS, Tuberculose e Hepatites Virais  na Cidade do Recife fortalecerá o enfrentamento desta problemática presente na vida de cidadã e cidadãos recifenses.

A Articulação AIDS em Pernambuco, a Rede de Nacional de Pessoas Vivendo com HIVAIDS - Núcleo Pernambuco, a Rede Nacional de Jovens Vivendo com HIV/AIDS – Núcleo Pernambuco assim como outros movimentos sociais, acreditam que a incorporação da luta contra AIDS na agenda do Poder Legislativo será um mecanismo importante para garantia de qualidade de vida da população pernambucana que luta cotidianamente para manterem-se vivos/as, como afirmado no 1º Vivendo Nordeste realizado em novembro de 2012 na cidade do Recife que estamos diante de um contexto onde há poucas iniciativas satisfatórias.  Estes descasos não só quebram pactos de campanhas eleitorais, planos governamentais, compromissos internacionais, mas, sobretudo, violam o direito humano das pessoas vivendo com HIV/AIDS.

Por fim, mais uma vez solicitamos a vossa excelência Vereador Jurandir Liberal o compromisso de pautar a criação de uma Frente Parlamentar para o Enfrentamento a Epidemia da AIDS na Cidade do Recife, em 2013, em diálogo com o movimento de luta contra AIDS.

Certas/os de contar com seu esforço e compromisso, reforçamos que desde já estaremos atentas/os e dialogando sobre esta solicitação porque para nós, como diz nosso slogan deste ano, o 1º de dezembro – Dia Mundial de Luta contra AIDS – Vamos precisar de todo mundo!
Agradecemos por nos ter recebido e encerramos com trechos de uma música que simboliza este este espaço e o momento político.

Anda!
Quero te dizer nenhum segredo
Falo nesse chão, da nossa casa
Bem que tá na hora de arrumar
Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que dois
Prá melhor juntar as nossas forças

(O Sal da Terra dos compositores Beto Guedes e Ronaldo Bastos)



quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

VAMOS PRECISAR DE TODO MUNDO...





1º de dezembro – Dia Mundial de Luta contra AIDS
Vamos precisar de todo mundo

Recife, 10 de dezembro de 2012.
A Assembleia Legislativa de Pernambuco
Att da Deputada Izabel Cristina


Articulação AIDS em Pernambuco fundada no segundo semestre de 1996 em Recife, é um fórum de articulação política do movimento de luta contra a AIDS que congrega Organizações da Sociedade Civil, Redes, Movimentos e Ativistas Independentes que atuam no campo da luta contra a AIDS no Estado, sem distinções religiosas, raciais, étnico-raciais, ideológicas, de gênero, de classe social, de orientação sexual, de faixa etária, partidárias ou sorológicas.

A epidemia da AIDS já entrou na sua 4ª década e apesar dos esforços olvidados no seu enfrentamento ainda estamos nos deparando com situações contextuais perversas, envolvendo as populações de forma cada vez mais complexa, quando se vê a elevação dos índices de infecção e de mortalidade em situação de ascendência cada vez mais expressiva. Em Pernambuco, temos atualmente um total de 17.459 casos de AIDS, sendo 11.219 homens e 5.736 mulheres.
No trato dos avanços dessa epidemia o movimento de luta contra a AIDS reconhece todos grandes esforços e avanços para superação da epidemia de AIDS nos investimentos do Estado brasileiro por meios de políticas públicas gestadas pelos seus governos, investindo nas melhoras das condições existenciais da população vivendo com HVI e AIDS, principalmente nas ações referentes à garantia do acesso aos medicamentos, às novas tecnologias e métodos que buscam agilizar o diagnóstico e o tratamento. Contudo, esse mesmo movimento que visualiza e reconhece essas ações governamentais também, tem identificado em todo o território nacional que essas mesmas políticas são incipientes para o enfrentamento a epidemia da AIDS, principalmente quando percebemos o surgimento de determinadas doenças agregadas com a condição da infecção pelo HIV e AIDS como a coinfecção por tuberculose e as hepatites virais.
Dentre tantas outras doenças oriundas da condição de soropositividade apontamos também como bastante problemáticas algumas questões subjacentes a situação de infecção, como a assistência, o acolhimento em casas de apoio; a insuficiência e as vulnerabilidades dos serviços para cirurgias reparadoras nos casos da Lipodistrofia e Lipoatrofia e outras patologias decorrentes dos efeitos colaterais da Terapia Anti-Retroviral; investimento insuficiente no sentido de ampliar a capacidade dos serviços que já foram instalados, habilidade e competência para produção de antirretrovirais e dos princípios ativos e, aplicar as leis, caso haja violação desses direitos, além do pouco investimento político e orçamentário para efetivação dos Planos de Enfrentamento, como o da Feminização da AIDS, e o de Gays/HSH/Travestis. Neste momento, atualizamos o contexto da epidemia de AIDS em Pernambuco, ressaltando as principais problemáticas:

·         Em relação à assistência, destacamos a ausência de casa de apoio. Enfrentamos a ausência de uma política que amplie e fortaleça as casas de apoio para a população vivendo com HIV/AIDS em situação de rua, além de pautar a necessidade de inclusão das mesmas na política pública de habitação.
·         A Articulação AIDS em Pernambuco vem, ao longo dos anos, construindo incidência para pautar diálogo e articulações com os espaços de controle social e gestão. Durante todo esse processo, avaliamos que a casa abrigo não pode ser compreendida como acesso a moradia para as pessoas soropositivas para o HIV e AIDS, como vem sendo compreendida no nosso Estado. Tirar as pessoas da rua é uma ação emergencial que precisa está articulada a uma política estrutural. Sendo assim, na política de entrega de unidades habitacionais em todas as regiões do Estado, devem-se priorizar as pessoas em situação de vulnerabilidade e risco social, incluindo as pessoas vivendo com HIV e AIDS.
·         O não cumprimento de intersetorialidades da rede pública de saúde, o número insuficiente de unidades de referência e de profissionais especializados para realização dos procedimentos cirúrgicos em pessoas vivendo com AIDS que sofrem com Lipodistrofia e Lipoatrofia, compromete severamente desta população, provocando baixa autoestima, acarretando depressão, isolamento do convívio social, além do descontentamento com a vida, chegando a atentar contra a própria vida, chegando óbitos de fato. Compreendemos que estas, entre outras questões, violam o direito de ir e vir e do exercício pleno da cidadania. Também é importante garantir o tratamento da AIDS e doenças oportunistas com o implemento nas regiões do Estado  com a expansão do número de leitos para atendimento as pessoas que vivem com HIV e AIDS e coinfecções nos hospitais de Pernambuco, pois é comum se ver pessoas encaminhadas de hospital para hospital pela falta de acomodações causando inchaço nas enfermarias da capital.
·         Lei de proteção para pessoas vivendo com HIV/AIDS - hoje não possuímos leis em nosso Estado que garantam os direitos dessa população. Esta ausência de proteção contribui para vulnerabilidade desta população que vivencia o estigma, preconceitos, além de episódios de violência.
·         Iniciativas como a criação do Plano de Enfrentamento da Epidemia de DST/AIDS entre Gays, HSH e Travestis e Plano Estadual de Enfrentamento a Feminização da Epidemia de AIDS foram fortemente apoiados pelos movimentos sociais, consta como prioridades nas pautas dos governos municipais, e estadual, no entanto os recursos necessários a sua execução, continuam sem dotação orçamentária específica para implementação das ações planejadas. Os referidos Planos necessitam de compromisso político para sua efetivação, sendo necessário financiamento estadual para o desenvolvimento das ações, bem como comprometimento das secretarias envolvidas nos processos. Também se faz necessário garantir a resposta intersetorial, além do fortalecimento do diálogo com os movimentos sociais, respeitando seus papéis políticos diferenciados na sociedade.
·         A epidemia da AIDS atinge principalmente as pessoas em situação de vulnerabilidade social. As mesmas precisam realizar regularmente consultas e exames, buscar medicamentos, entre outras necessidades que fazem parte de seu tratamento. Grande parte dessas pessoas, mesmo as residentes na Região Metropolitana do Recife, não dispõe de recursos para o seu transporte e/ou para seus acompanhantes. A Articulação AIDS em Pernambuco coloca em sua pauta de reivindicação a importância de instituir, mediante Lei de iniciativa do executivo, o benefício do Passe Livre para Pessoas Vivendo com HIV/AIDS. Porém, é importante ressaltar que para se instituir a referida lei, é necessário um diálogo com o movimento social no sentido que este possa contribuir com os mecanismos para que, mesmo sem intenção e/ou propósito, a discriminação e o estigma das pessoas vivendo com HIVAIDS não seja reforçado.
·         A epidemia do HIV/AIDS atravessa todas as geracionalidades, percebemos que crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos vivenciam a soropositividade para o HIV de formas distintas e com necessidades diferenciadas. Porém, a geracionalidade na maioria das vezes serve apenas para indicar números, mas não há um aprofundamento qualitativo de reflexões e ações que respondam as vulnerabilidades e vivências da soropositividade para o HIV e a AIDS. A Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV e AIDS - Núcleo Pernambuco evidencia a necessidade da formulação de plano de políticas para o enfrentamento da epidemia do HIV/AIDS entre adolescentes e jovens, principalmente para fortalecer a cidadania desta população que tem sofrido com a discriminação que favorece o afastamento deste público da escola, do lazer, da inserção no mercado de trabalho, enfim da vida social e cultural no seu todo.
·         Evidenciamos nosso descontentamento pelo abandono do Programa Saúde Prevenção nas Escolas/SPE que para nós é de grande importância. Através dele temos um diálogo com os núcleos escolares no que diz respeito à formação e sensibilização para abordagem temática sobre HIV/AIDS.
·         Os movimentos sociais enfrentam crise de sustentabilidade, que prejudica sua atuação política. Tendo estes sujeitos políticos colaborados para o fortalecimento da democracia na sociedade pernambucana, fortalecido a gestão a partir da contribuição com a formação de seus funcionários e quadros políticos, influenciado as políticas publicas no sentido da inclusão dos diversos grupos sociais. Neste sentido, se faz necessário que o governo estadual reconheça e fortaleça os movimentos sociais, entre eles a Articulação AIDS em Pernambuco e a Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e AIDS de Pernambuco, respeitando sua independência. Sendo assim, defendemos Implantação de um fundo público para financiamento das ações do movimento de luta contra AIDS.
·         Os movimentos sociais e as organizações da sociedade civil foram e são sujeitos políticos importantes na construção e fortalecimento da democracia em Pernambuco. Sendo assim, é importante instalar diálogo com a Articulação AIDS em Pernambuco, com a Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e AIDS - Núcleo Pernambuco, com a Rede Nacional dos Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/AIDS – Núcleo Pernambuco tendo estes movimentos 02 (duas) audiências por ano, diretamente com o poder executivo e legislativo estabelecendo um canal de comunicação política.


Diante da exposição de tal contexto o Fórum Articulação AIDS em Pernambuco solicita a Deputada Isabel Cristina recomendação para a criação de uma Frente Parlamentar de Enfrentamento a Epidemia da AIDS, Tuberculose e Hepatites Virais em Pernambuco em 2013, por acreditar ser este um dos mecanismos essencial que articula o poder Legislativo, e o poder Executivo a fim de que possam dialogar e avaliar, propor e, implementar política pública que articule a assistência e a prevenção às pessoas vivendo com HIV e AIDS, além de fortalecer os Planos de Enfrentamento da epidemia entre as mulheres, homens e população LGBT. Compreendemos que a Assembleia Legislativa é a casa do debate, é a casa do diálogo, e da representação dos anseios de cidadãs e cidadãos. Sendo assim, a criação de uma Frente Parlamentar é uma ferramenta indispensável para contribuir no desenvolvimento das ações de enfrentamento da epidemia da AIDS, Tuberculose e Hepatites Virais em Pernambuco, o que só fortalecerá o enfrentamento desta problemática, presente na vida de cidadã e cidadãos pernambucanos/as.

No contexto social e político no qual a epidemia da AIDS se inscreve na sociedade pernambucana, ainda observamos que a fragilização da gestão governamental das políticas públicas de saúde, trabalho, habitação, educação por um lado; e por outro, as dotações para a execução dos planos de enfrentamento das questões existenciais de quem está vivendo com HIV e AIDS continuam sendo emergenciais, requerendo um envolvimento maciço das instituições sociais: família, economia, cultura e lazer, trabalho, dentre outras. A Articulação AIDS em Pernambuco, a Rede de Nacional de Pessoas Vivendo com HIVAIDS - Núcleo Pernambuco, a Rede Nacional de Jovens Vivendo com HIV/AIDS – Núcleo Pernambuco acreditam que a incorporação da luta contra AIDS na agenda do Poder Legislativo será um mecanismo importante para garantir a qualidade de vida das pernambucanas e pernambucanos que lutam cotidianamente para  manterem-se vivos e vivas, como foi afirmado no 1º Vivendo Nordeste, realizado no mês de novembro de 2012 aqui em Recife, que estamos diante de um contexto onde existem poucas iniciativas satisfatórias no enfrentamento da epidemia da AIDS. De modo que os descasos não só quebram pactos de campanhas eleitorais, planos governamentais, compromissos internacionais, mas, sobretudo, violam o direito humano das pessoas vivendo com HIV/AIDS de permanecer vivendo e sendo felizes, como outras pessoas.

Por fim, mais uma vez solicitamos a vossa excelência Deputada Isabel Cristina o compromisso de pautar a criação de uma Frente Parlamentar para o enfrentamento a epidemia da AIDS no Estado de Pernambuco em 2013 em diálogo com o movimento de luta contra AIDS.

Certos de contar com seu esforço e compromisso, reforçamos que desde já estaremos atentos e dialogando sobre esta solicitação porque para nós, como diz nosso slogan deste ano, o 1º de dezembro – Dia Mundial de Luta contra AIDS – VAMOS PRECISAR DE TODO MUNDO!
Agradecemos por nos ter recebido e encerramos com trechos de uma música que simboliza este espaço e o momento político.

Anda!
Quero te dizer nenhum segredo
Falo nesse chão, da nossa casa
Bem que tá na hora de arrumar.
Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que dois
Prá melhor juntar as nossas forças

(O Sal da Terra dos compositores Beto Guedes e Ronaldo Bastos)

Articulação AIDS em Pernambuco

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

CRIADA A FRENTE PARLAMENTAR AIDS DE RECIFE

A criação de uma Frente Parlamentar para ajudar no Enfrentamento à Epidemia da AIDS foi destaque no dia 03.12.2012 na Câmara dos Vereadores do Recife em Audiência Pública, assistida por um grupo significativo de pessoas oriundas de diversos segmentos da sociedade civil e também dos governos estadual e muncipal. Essa Audiência Pública foi um dos marcos estratégicos do movimento de luta contra a AIDS em Pernambuco, cognominado de: ARTICULAÇÃO AIDS DE PERNAMBUCO de caráter comemorativo do 1º de Dezembro, Dia Mundial da Luta Contra a AIDS. Vale salientar que entre outra ações criadas pelo movimento para comemorar essa data, de destacam essa Audiência Pública de hoje para formar a Frente Parlamentar da AIDS do Recifee a outra que será a Frente Parlamentar da AIDS de Pernambuco, que será no p´roximo dia 10/12/2012 na Assembleia Legislativa. Ao longo dessas mais de três décadas de AIDS, o movimento AIDS que foi criado em Pernambuco desde 1966, vem realizando ações diversificadas de enfrentamento dessa epidemia,fazedno o Controle Social, Monitorando e Avaliando as políticas públicas instauradas nos estados para combate da epidemia; focando na Prevenção e na Assistencia. Tendo ainda como uma ferramenta principal de enfrentamento da a TARV (Terapia Anteretroviral), medicamentosa que é distribuido gratuitamnete às pessoas com HIV e AIDS em todo território Nacional, a quel também requer que o Movimento esteja estendendo seu olhar insistentmente para acompanhar a realização desse serviço junto a população soropositiva e com AIDS.Essa terapia vem ao longoi dessas três décadas judando as pessoas a manterem o Virus quieto nos seus organismos, como também melhorando significativamente seu estado de saúde por um lado, porém por outro já se vive as mazelas dos efeitos colaterais desses medicamnetos, de forma que já se está buscando gerir outras políticas públicas que ajudem as pessoas em TARV a cuidarem dos outros aspectos da sua saude afetados pelos medicmanetos. Essa Audiência foi presidida pelo Sr. Vereador Jurandir Liberal (PT, tendo uma mesa composta por pessoas oriunda de outras representações forenses, como: a Secretaria Especial da Mulher do Recife, a Coordenadoria do Programa Estaudal de DST/AIDS de Pernambuco, representantes de outros Fóruns, como a RNP+ ponto focal PE. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, em Pernambuco são 17.459 casos de AIDS, sendo 5.736 mulheres e 11.219 homens. Já no Recife, 7.244 pessoas estão infectadas com o vírus. Liliana Barros, Secretária Especial da Mulher em exercício, destacou que o número de mulheres portadoras do vírus é crescente e preocupante. Diante da discussão do problema, ela frisou que será criado pela Prefeitura o Comitê de Enfrentamento à Feminização da AIDS no próximo dia 13, na sede da PCR. Já Tânia Tenório, coordenadora do Centro de Referência Clarice Lispector, destacou a importância de se criar uma Frente Parlamentar na Casa. “Faz parte da construção das discussões a articulação com os vereadores para pensar o Recife”, disse. Beth Amorim, da Articulação AIDS Pernambuco disse estar emocionada por participar de um momento simbólico numa Casa Legislativa. “Espero que a Casa consiga elaborar leis para o enfrentamento da epidemia de AIDS”. José Cândido, da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e AIDS, leu uma carta aberta composta por nove estados do Nordeste lamentando a atual política de AIDS no Brasil e em Pernambuco. “Convivemos com muitas carências como o demorado acesso às consultas devido à sobrecarga de pacientes nos Hospitais de referência. Faltam UTI’s, profissionais e remédios”, ressaltou. Vandilza França, da organização não governamental ASQV, Grupo de Amigos na Luta pela Qualidade de Vida, explicou o trabalho da instituição e ressaltou que a mulher é quem mais sofre com a AIDS. “ A ASQV trata especialmente o controle dos efeitos colaterais dos medicamentos. As mulheres são as mais afetadas e lá a condição da mulher é considerada, pois se trata de uma luta muito ferrenha”, ressaltou. Já o coordenador estadual de DST/AIDS em Pernambuco, François Figueirôa, frisou que o HIV veio para revolucionar a sociedade e que a epidemia de AIDS não está estabilizada. “É um grande desafio para enfrentarmos, pois nada está controlado. São 1.300 casos em 4 anos. É muito. E ao criarmos a Frente somaremos esforços para cada vez mais combater o problema”, disse. Durante a Audiência foi entregue ao presidente da Câmara uma carta de solicitação recomendando a criação de uma Frente Parlamentar de Enfrentamento à Epidemia da AIDS, Tuberculose e Hepatite Virais no Recife, em 2013. A Frente Parlamentar só existe na esfera federal. A carta, lida por Simone Ferreira, da Articulação AIDS em Pernambuco, apontou que as ações são consideradas poucas para o enfrentamento da epidemia da AIDS. O documento ainda enfatiza que a incorporação da luta contra a AIDS na agenda do Poder Legislativo será importante para a qualidade de vida da população pernambucana que luta cotidianamente para manter-se viva. “Solicitamos ao vereador Jurandir Liberal o compromisso de pautar a criação de uma Frente Parlamentar para o Enfrentamento à Epidemia da AIDS no Recife em 2013, com o movimento de luta contra a AIDS”, finalizou Simone Ferreira. O presidente elogiou a elaboração da Carta e disse que levará à tribuna a discussão para a criação da Frente. “Discutirei o assunto durante Reunião Plenária e colherei assinaturas dos vereadores que desejam apoiar a causa. É de extrema importância a participação da Câmara Municipal do Recife na Frente Parlamentar. A Casa não pode ficar ausente”, finalizou Jurandir. Em 02.12.12, às 14h.